Mangaka = Pessoa Pública?

Temos observado alguns acontecimentos há um bom tempo e hoje, após um incidente desagradável que testemunhamos, achamos oportuno tocar num assunto de interesse de todos os aspirantes a mangaka: comportamento pessoal x pessoa pública.

Antes de tudo, entende-se por pessoa pública “aquela que se dedica à vida pública ou que a ela está ligada; esse conceito engloba também os que exercem cargos políticos ou cuja atuação dependa do reconhecimento das pessoas ou a elas seja voltado, mesmo para lazer ou entretenimento, independente do lucro ou caráter eminentemente social.” (SILVA JUNIOR, Alcides Leopoldo e. A pessoa pública e o seu direito de imagem: políticos, artistas, modelos, personagens históricos… São Paulo: Juarez de Oliveira, 2002, p.89.)

Dessa forma um mangaka, desenhista de quadrinhos, roteirista ou qualquer pessoa ligada a essas atividades também é uma pessoa pública. Até aí, isso é um fato, mas as pessoas sabem lidar com esse conceito? Qual a importância e as consequências de se tornar pessoa pública?

A partir do momento que o indivíduo se torna uma referência, não apenas seu trabalho, mas também seu comportamento se torna o “Norte” para muitos. E é aí que a situação complica.

Muitos aspirantes a artistas nos quadrinhos têm se mostrado muito entusiasmados com  a possibilidade de ganhar dinheiro, fazer sucesso, serem celebrados como pessoas famosas mas, na realidade, pouquíssimos se deram conta do ônus de se tornar pessoas públicas; da importância de lidar com o público, de arcar com suas propostas, de respeitar os leitores e, principalmente, da responsabilidade por suas ideias.

Sim, uma ideia tem força, tem poder de influenciar e multiplicar-se; é um meme em potencial. Isso surge dentro de todas as pessoas, mas quando você é pessoa pública sua ideia tem grande chance de tornar-se esse meme… e então, o que você faz com todo o resto?

Resto? Que resto? Sua vida privada, oras!

Ela é sua e só sua, com certeza, porque todas as pessoas têm o direito à intimidade. Contudo, em tempos de Big Brother, parece que toda uma geração perdeu a noção do privado e resolveu se expor na internet a níveis alarmantes. E o que isso tem a ver com ser mangaka? Tudo.

A partir do momento que, por exemplo, um indivíduo posta em sites, blogs e comunidades, uma infinidade de comentários impensados, agressões gratuitas e brincadeiras de mau gosto, ele enterra cada vez mais fundo suas chances de conseguir um espaço e construir uma reputação de bom profissional.

Sim, um profissional não se faz apenas de boa arte e boas histórias, mas também de boa educação. Numa época onde o departamento de  imigração de um país pode puxar os tweets de visitantes para saber o que falaram antes de viajar, acreditar que ninguém vai saber o que se escreveu de maneira inadequada numa comunidade, é muita ingenuidade.  Ao contrário do que muitos indivíduos pensam, a internet tem memória, e essa memória pode ser implacável.

Uma agressão dita sem pensar hoje, por motivos pueris, amanhã pode fechar portas e dificultar as coisas.

“Então, não podemos ter opinião?”

Claro que sim. Ter opinião é um direito de todos, mas ter educação é obrigação. Mais que isso; educação deve fazer parte da pessoa, ser um valor inalienável. Existem muitas maneiras de se dizer coisas, mas ser agressivo é desnecessário e sempre um recurso pobre e raso.

Se esconder atrás de frases como “eu tenho direito de dizer o que penso” ou “eu sou sincero” além de ser uma desculpa fraca, causa danos feios. Dizer não significa ofender, e verdade não significa grosseria. Quando uma pessoa fala dessa forma só demonstra sua incapacidade de expressar-se e de aprimorar-se como ser social. Qual é então o tipo de comportamento que ele terá futuramente com seus leitores e colegas de profissão? Ele será capaz de realizar uma tarefa como pessoa pública?

É claro que todo mundo pode ficar nervoso, ás vezes, mas é para isso que existem conversas privadas com seus amigos. Internet não é lugar de desabafar frustrações; é espaço público.

Expressar-se de forma moderada não significa falta de sinceridade, mas sabedoria. Educação sempre foi e será um cartão de visitas inigualável e ajuda a construir reputações. Opiniões extremadas, pouca paciência, brincadeiras estúpidas e agressividade gratuita podem fazer parte da lista de opções de um troll, mas não de um profissional. E, importante: educação conta pontos para um editor. Ninguém contrata encrenqueiros!

Vemos jovens sonhando com um futuro onde serão mangakas e desejando itens importados para aperfeiçoar suas artes, edulcorando seus sonhos, mas que, muitas vezes, esquecem que já tem dentro de si o material mais precioso: dignidade.

Para utilizá-la, basta tirar da embalagem interior e mostrá-la através de opiniões educadas, respeitando as diferenças, atendendo aos que tem dúvidas, sendo humilde quando não souber ou sábio quando souber  mais que os outros e, principalmente, compreendendo que o mundo não é todo seu e portanto, não se curvará a você, mas você faz parte dele. Por isso, faça o melhor com o que puder oferecer e torne esse melhor sua parte pública.


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Assistentes x Aprendizes x Profissionais

Esse é um assunto que sempre vem à tona quando se fala em otimizar o tempo para produção de quadrinhos, mas, como tantas coisas no Brasil, poucos se põem a observar a situação  com a real atenção que ela necessita.

No universo da produção de mangás é sabido que muitos autores produzem títulos com a ajuda de assistentes de produção, mas afinal, o que fazem e quem são estas pessoas?

As respostas podem ser muitas, em alguns casos é notória a ajuda de amigos, parentes, e outros são profissionais que se dedicam a essa tarefa como uma profissão, tanto quanto os autores se dedicam as suas obras.

Para podermos entender o universo destas pessoas que trabalharam e trabalham, ainda hoje no mercado japonês, sem ter, na maioria dos casos, um devido reconhecimento, precisamos compreender um aspecto cultural nipônico.

Em primeiro lugar, temos Confúcio… sim, ele mesmo! O tal filósofo chinês! Entre outras coisas Confúcio pregava que todas as pessoas deveriam ser conscientes de suas tarefas e fazê-las de forma correta. Ou seja, ele pregava o condicionamento social como forma de harmonia. Dessa forma sua doutrina se baseava na criação de uma sociedade capaz e voltada ao bem estar comum. Isso lembra o Japão? ^___^

Isso é tão forte na cultura japonesa que se tornou um aspecto social agregado ao ritmo de trabalho deles. Culturalmente, o japonês não apenas tem uma consciência muito forte de sua responsabilidade numa tarefa, como também tem um enorme senso de grupo e obediência. No mercado de mangás isso não é exceção e os assistentes estão aí para comprovar isso.

Mas o que um assistente faz, afinal?

Um assistente é praticamente um “faz tudo” em alguns casos. Ele pode desde apagar o lápis de um desenho, cumprindo uma função de cleaner como também pode ser o cara que encomenda o almoço para o grupo. Mas o mais importante: o assistente é quem faz o trabalho de apoio e já conhece a atividade.

Ele não é um aprendiz. No Japão, o assistente contratado já sabe desenhar, passar tinta, colocar retícula… qualquer uma dessas funções que ele tenha sido contratado para fazer. Ele é um profissional de apoio, não um aprendiz que vai entrar para aprender a desenhar, a fazer tinta, a descobrir macetes ou a chegar na hora certa. Ele já sabe fazer isso. Seu trabalho de adaptação consiste em assimilar o estilo do artista e adaptar-se ao ritmo daquele projeto, o resto ele já tem de vir sabendo.

No Japão, o objetivo de se tornar um assistente está ligado à doutrina confucionista de começar por baixo para aprender o ritmo de um profissional, um “mestre”, para depois tentar ser um profissional com sua própria obra, um dia.

Mas existem outros tipos de profissionais no Japão: aqueles que optam por se tornarem assistentes como sua profissão fixa. Seu trabalho será sempre o de apoio. Muitos optam por isso por não terem perfil para se tornarem mangakás de destaque, embora tenham habilidades manuais, e outros por uma opção de preferir trabalhar como parte de um grupo.

Aqui se difunde a ideia de que o assistente vai aprender com o artista para depois ajudar e não é assim que funciona. Ele já tem de conhecer programas, desenhar ou qualquer outra coisa que seja necessário. Se o assistente vem cru, ele não é assistente, é um aprendiz e não tem função para um artista que já está lotado de trabalho, pois este vai perder mais tempo ainda para lhe ensinar algo.

Se alguém pensa em se tornar assistente, deve entender que isto é um emprego, não um curso ou estágio. Nesse emprego só há tempo para pegar o ritmo do trabalho, e não para aprender do zero. Por isso, a pessoa que deseja fazer isso tem de ter duas coisas em mente: já tem de saber executar as atividades para o qual será contratada e tem de aprender a seguir ordens.

É possível ser um profissional sendo um assistente e por incrível que pareça, isso é tão difícil como ser um mangaká, pois as duas posições exigem as mesmas coisas: disciplina e respeito.


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Visita ao bairro da Liberdade! ^__^

Hoje fomos ao bairro da Liberade para pegar umas encomendas e tivemos a oportunidade de ver a decoração que está sendo colocada nas ruas pela ocasião do Tanabata Matsuri. Está tudo muito bonito e colorido! Também seguimos a dica da Valéria do Shoujo Café e passamos no Sebo do Messias e também na Casa Ono para aproveitar as promoções. Como a Casa Ono está liquidando seu estoque de mangás, pois a filial irá fechar no final no mês, pode-se encontrar muitos títulos a bons preços (R$1,00, R$2,00, R$3,00, R$5,00 e R$10,00). Embora não existam séries recentes, vale a pena para quem quer estudar diagramação e estilos de arte-final. É uma chance de gastar pouco e conseguir bastante material para estudo. Para você ter uma ideia, ao todo, conseguimos garimpar 14 exemplares, em excelente estado por apenas R$25,00.

No caminho para a Casa Ono achamos uma tendinha onde uma senhora fazia takoyaki… UMA DELÍCIA! Recomendamos! =D~~

Um abraço! ^________^

P.S.: A Casa Ono fica na rua Galvão Bueno, 364 – Liberdade – São Paulo (dentro de uma galeria com uma peixaria lá no fundo)


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14º Festival do Japão

Junte um pavilhão de exposições amplo, estandes com uma grande variedade de produtos, comidas típicas deliciosas, atendimento simpático, diversas atrações culturais, facilidade de acesso ao evento com ônibus sem grandes esperas e você terá um ótimo festival.

O 14º Festival do Japão aconteceu nos dias 15, 16 e 17 de julho e nós fomos lá, no sábado, para conferir essa grande festa, além de ter a oportunidade de ver de perto o lançamento da Ação Magazine: um almanaque nos moldes das antologias shounen totalmente nacional.

No estande da Ação, fomos recebidas pelo simpático pessoal da equipe. Estavam lá Fábio Sakuda, Alexandre Lancaster, Maurílio DNA, Altair Messias, Carlos Sneak e Victor Strang (infelizmente não conseguimos encontrar todo mundo, mas haverá outras ocasiões, com certeza). Além dos exemplares da Ação saídos do forno, todos que passavam podiam ver os artistas desenhando na hora e ganhavam seus autógrafos, além de um uma conversa bem animada. Fomos convidadas a deixar uns desenhos e pudemos conversar com muita gente legal e talentosa que prestigiou o espaço com apoio positivo! Encontramos com Elisa Kwon, Claudia Medeiros, Petra Leão, Marcelo Cassaro e Douglas MCT, entre outros.

O cuidado com o trabalho da Ação era visto desde o primeiro momento não apenas pelo material impresso, mas pelo próprio estande da equipe, todo personalizado, com exibição de vídeos de divulgação além de uma mesa onde os artistas podiam sentar juntos com os visitantes e trocar ideias.

As apresentações culturais eram muitas e era praticamente impossível estar em todas elas porque os palcos eram separados, mas pudemos presenciar uma belíssima apresentação de taiko, além de um ritual de cerimônia do chá.

Do lado de fora, as províncias japonesas eram representadas por sua culinária na praça de alimentação, onde o convite a degustação era feito pelo delicioso aroma dos pratos. Impossível não provar nada!

Para aqueles que foram, ficou a lembrança de um evento excelente e muito bem organizado e para os que não foram, fica um convite para que estejam lá no ano que vem!

Desejamos também muito sucesso para o pessoal da Ação nesse longo caminho e que, em setembro, quando a revista estiver nas bancas, todos a continuem prestigiando. Independente de qualquer adaptação que o material possa a vir a ter, sabemos que o pessoal da Ação tem profissionais com garra suficiente para aprimorar cada vez mais seu material.

E como eles dizem: Junte-se ao novo! Seja o novo!

 

Abraços!    ^_____^


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HQs, Eventos e Bibliotecas

Participei há pouco mais de um mês de um conjunto de atividades promovido pela rede de bibliotecas públicas da cidade de Guarulhos envolvendo quadrinhos. Essas atividades tinham como objetivo principal divulgar a gibiteca que foi aberta ao público dentro da Biblioteca Monteiro Lobato (a biblioteca mais antiga da cidade e também a principal) e mostrar um pouco do universo das histórias em quadrinhos. Além do workshop que ministrei nos dias 12 e 13 de maio, ocorreu também uma palestra no dia 28. Também aconteceu uma oficina de quadrinhos no dia 26 com o desenhista Artknight, dentro da biblioteca, para os interessados. Para falar um pouco do universo dos quadrinhos, com o auxilio da biblioteca montei uma exposição – uma história dos Quadrinhos – contando resumidamente o surgimento deste tipo de narrativa tanto no ocidente – especialmente EUA e Europa – quanto no Japão, onde se desenvolveram três expressivos pólos de produção. Como o assunto é muito vasto, a exposição se focou em alguns tópicos, com o objetivo de apresentar um pouco do mundo dos quadrinhos não apenas para leitores do gênero, mas, principalmente, para aqueles que estão interessados em conhecer esse universo tão rico e criativo.

Nesse processo, percebi o quanto esse meio de comunicação pode ser desconhecido dos profissionais que trabalham em bibliotecas. As definições, modos de produção e linguagens são estranhas àqueles que, até pouco tempo atrás, se dedicavam apenas aos livros como fonte de informação e, é apenas graças à disposição desses profissionais da área de biblioteconomia em conhecer esse “outro mundo” que se pode mudar este quadro. Contei com a ajuda de pessoas prestativas e interessadas e isso é muito importante dentro de uma biblioteca: querer conhecer o universo onde estas informações são geradas é um importante passo para oferecer ao leitor dados que o motivem a aprender, apreciar e respeitar este tipo de leitura.

Atualmente, muitas bibliotecas possuem em seu acervo material em quadrinhos para oferecer aos seus leitores, mas a questão é: como esse material é tratado para que chegue às mãos do leitor? Em algumas bibliotecas tradicionais como a Mário de Andrade em São Paulo, já existe acervo tombado de quadrinhos e, para isso, conta com profissionais que o conheçam. Isso é um ponto importante: até há alguns anos atrás os quadrinhos recebiam um tratamento diferenciado do resto do acervo e, em muitos lugares ainda, é visto como material de descarte e pouca utilidade. Se essa mentalidade persiste dentro de algumas bibliotecas decorre do fato que os profissionais envolvidos têm pouca intimidade com este tipo de material e desconhecem a evolução ocorrida dentro deste veículo de comunicação durante as últimas décadas. Não se pode culpá-los totalmente por isso: nossa sociedade como um todo tem sua parcela de culpa insistindo, ora em tratar o material com infantilidade, ora em ignorá-lo como fonte de informação. Primeiro porque ainda temos reflexos negativistas das gerações antigas em relação aos quadrinhos, com o velho ranço de “material inútil” e sua consequente desatualização sobre seu conteúdo atual e, segundo pelo fato de ser um material produzido em larga escala para meios populares – esse aspecto é especialmente curioso, pois o conceito de obra-arte se reflete tanto nos quadrinhos, da mesma forma que se refletiu nas outras artes. Basicamente, ele parte do pressuposto de que se algo é feito em pequena escala e com acabamento mais refinado, se torna melhor que o resto, ignorando-se a funcionalidade que possa vir a ter. Desse modo, conclui-se que o material que é feito em grande escala, com acabamento mais simples, deve ser ruim, não importando o conteúdo que tenha. Embora muitas pessoas não percebam isso, é normal elas usarem esse conceito, sem perceber, na hora de selecionar o que é válido ou não para leitura, de tão impregnado que ele está na coletividade social.

Tirando o material feito em moldes de livros ou álbuns, os quadrinhos oferecem uma gama enorme de variedades em seus formatos e acabamentos, além de sua grande complexidade de títulos que confunde aqueles que desconhecem a área e sim, se faz necessário a presença de pelo menos um profissional dentro da biblioteca que tenha noção do tipo de material que será apresentado ao leitor, tratando-o com respeito, como se trataria um livro. Hoje, mais do que nunca, se percebe a força da influência dos quadrinhos em várias gerações, e seu poder de comunicação pode ser usado de diversas maneiras, tanto didáticas e lúdicas para o estímulo a leitura, quanto comerciais, através de filmes, não como um objeto a parte, mas como um complemento da literatura tradicional e dos meios de comunicação. Por isso se faz importante ele ser agregado à biblioteca de forma adequada.

O trabalho feito na Biblioteca Monteiro Lobato mantém esse padrão de cuidado para que o acervo não apenas chegue ao leitor, mas possa ser tratado com respeito pelos profissionais que lidarem com ele. Espero que cada vez mais as bibliotecas, como um todo, percebam que os quadrinhos não são “inimigos” da literatura, mas amigos de todas as artes e que este acervo faça parte do todo.

 

Montserrat   ^____^


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Workshop em Guarulhos

A Montserrat do Studio Seasons estará dando um workshop dividido em duas partes nos dias 12 e 13 de maio sobre produção de mangá no Japão e no Brasil. Será às 14:00hs na Biblioteca Adamastor em Guarulhos/SP.
As vagas são limitadas e para maiores informações para inscrição gratuita, basta ligar na biblioteca.

Biblioteca Adamastor
Centro Educacional Adamastor
Av. Monteiro Lobato, 743 – Macedo – Guarulhos
Atendimento: terça a sexta das 10:00 às 20:00
sábados das 10:00 às 14:00

Fone: (11) 2472-5418

 

Para aqueles que não moram em Guarulhos, o modo mais fácil de chegar até a Biblioteca Adamastor é pegar o ônibus intermunicipal 104 GUARULHOS (BOM CLIMA)/ SAO PAULO (METRO TUCURUVI) que sai do terminal Tucuruvi do Metrô e que tem um ponto em frente à Biblioteca. Informe-se com o motorista ou o cobrador.

 


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Mais Ação no mercado nacional

Há alguns dias, os internautas ficaram sabendo da existência de um projeto para a criação de uma antologia nacional, com perfil shounen, nos moldes da famosa Shonen Jump, intitulada Ação Magazine.
O projeto é concepção de Alexandre Soares (Lancaster) dono do respeitado blog Maximum Cosmo. Visto que ele é um grande conhecedor de temas que envolvem shounen, seinen e gekiga, além dos mecanismos de produção japoneses, acreditamos que é a pessoa mais indicada para realizar essa empreitada. Existem bons nomes dentro de sua equipe e isso nos dá a visão de que eles têm uma boa chance de realizar uma mudança significativa no mercado.
Como o próprio Alexandre comentou em seu artigo recente sobre a Ação Magazine (ver aqui), o nosso mercado nacional já recebe o mangá em seu formato final: o tankohon. Desse modo, não passamos pelo processo de “seleção” que ocorre no Japão. Aqui, nosso mercado editorial funciona como uma roleta russa, você dispara na sorte. Os títulos chegam e são colocados à venda na esperança de que tenham a mesma repercussão de mercado que tiveram em seu país de origem, mas não se conhece o perfil exato do público e nem como ele reagirá a este material. Se der certo, deu, se não, cancela-se.
Recentemente, fizemos um processo semelhante dentro da revista Neo Tokyo, onde publicamos títulos como Zucker e, agora, Mitsar. O mecanismo foi o mesmo usado na revista informativa NewType (primeiro a série é apresentada em capítulos e depois recompilada e vendida no formato tankohon). Tivemos uma recepção positiva dos leitores, embora não nos tenha passado em branco o fato de que o brasileiro, em geral, não está acostumado a ver histórias em quadrinhos dentro de revistas informativas. Mas como tudo, esse é um processo de mercado e exige a adaptação gradativa dos leitores e das próprias mídias.
Na Ação Magazine, a ideia é usar o processo de “seleção natural” através da receptividade dos leitores pelos títulos apresentados e esse mecanismo mostra dois aspectos importantes que devem ser desenvolvidos aqui:

Primeiro: o leitor brasileiro perdeu o costume de dar um feedback “funcional”, faz tempo, para o que chega nas bancas e apenas uma minoria se interessa em fazer comentários. Contudo, existem grupos de leitores que fazem críticas baseadas nos títulos japoneses que chegam ao nosso país, sem se dar conta de que comparam capítulos de 20 ou 30 páginas com volumes de 150 a 200 páginas. Isso quando já não viram o anime ou leram o scanlation da obra em algum canto da internet, ou seja: avaliam um fragmento comparando com o todo de outra obra, não percebendo que, muitas vezes o primeiro capítulo de um mangá japonês é igual ao do título nacional que ele tem nas mãos, com a diferença de que ele terá que esperar para consumir o resto da história e não sabe o que está por vir. Os japoneses se adaptaram a isto e aos mecanismos de seleção. O público brasileiro terá que reaprender a se relacionar com as publicações nacionais e a esperar, como os japoneses (afinal eles não têm somente antologias semanais, mas mensais e bimestrais também!);

Segundo: o processo de seleção exige uma estrutura capaz de se adaptar a isso. Acreditamos que, como a proposta da Ação é esta, eles estão preparados para fazer mudanças. O artista nacional não costuma receber orientação dos editores, aliás, a maioria dos editores nacionais não costuma estar preparado para orientar; em geral, se concentra só em dados como “vendeu” ou “não vendeu”, mas eles não tentam entender o porquê. Esse processo de lapidação é essencial para compreender o mercado, saber o quê e quando mudar, o que deve ser levado em conta e o que deve ser ignorado. Isso também lapida os desenhistas e autores que compreendem mais o que as pessoas desejam ver e ler, mas sem perder de vista que eles também devem acreditar naquilo que estão criando.
O mecanismo de “seleção” dos títulos terá que ser bem eficiente e chegar aos leitores de modo que todos tenham a oportunidade de emitir suas opiniões com facilidade, seja pela internet, seja pela revista, como ocorre no Japão com seus “cupons de pesquisa” enviados pelo correio.
Como todas as respostas ainda não estão ao nosso alcance, só podemos esperar e torcer para que o processo seja contínuo, mesmo que difícil, mas que não sofra nenhuma interrupção, pois independente das histórias, do conteúdo ou dos mecanismos, o mercado nacional tem que dar mais passos adiante e seguir num processo de crescimento que já está estagnado tempo demais por teorias que não levam a lugar nenhum. É hora de Ação!


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Comunicado Importante!

O Studio Seasons informa aos leitores e demais interessados:

Tivemos conhecimento de que terceiros estão entrando em fóruns, onde jovens aspirantes a desenhistas se correspondem, e apresentando-se como representantes indiretos do nosso estúdio com o intuito de atrair desenhistas para seus projetos, alegando que nós estaríamos fazendo parceria com eles.
Desse modo, esclarecemos os seguintes pontos:

1. O Studio Seasons é somente composto de três profissionais: Montserrat, Sylvia Feer e Simone Beatriz;
2. Não temos assistentes que trabalham conosco e nem representantes que se apresentam em nosso nome para fazer propostas de trabalho;
3. As parcerias do Studio Seasons são divulgadas por este, assim como os contatos com artistas são feitos, diretamente, por nós.

Se alguém recebeu uma proposta de terceiros em nosso nome, desconsidere. Em caso de dúvidas, antes de aceitar qualquer proposta, entre em contato conosco através do e-mail do estúdio: studio.seasons@studio.seasons.nom.br

Agradecemos a atenção.


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Making of de Zucker

Este é um making of de como foi produzida uma das páginas de Zucker lançada pela editora NewPOP.

1 – Estes quadros foram desenhados separadamente, e já foram utilizados na primeira versão de Zucker na revista Neo Tokyo. Com a compilação e ampliação num volume único, as páginas foram reestruturadas, dessa maneira foi feita uma nova diagramação para a história;


2 – Usando o Photoshop, cada quadro foi tratado e introduzido na nova página. Nesse processo, as imagens são redimensionadas até que fiquem no tamanho e posição desejados. Deve-se tomar cuidado no redimensionamento para que não ocorra distorção da imagem. Isso é especialmente importante em cenários, pois uma distorção pode gerar um deslocamento na perspectiva. Em outras palavras, parecerá que a cena foi desenhada de forma errada. Depois que os quadros estão em seus devidos lugares, as margens destes são colocadas na medida do necessário;


3 – Em seguida foram escolhidas as retículas (importadas do MangaStudio) utilizadas nesta página, e se iniciou o processo de aplicação. É importante que as retículas estejam em tamanhos adequados à escala da página para que a composição final seja harmônica. Esse processo exige cuidado e observação. Uma escolha de retícula errada pode resultar numa má composição que será percebida pelo olhar do leitor;


4 – Depois que o acabamento em retícula é terminado, são inseridos os balões das falas. Importante lembrar que suas bordas não devem ultrapassar muito a linha de segurança. Na sequência, as falas foram colocadas através de outro programa, o InDesign. Isso acontece porque a página sem o texto representa uma etapa da produção. A próxima etapa é a editoração, nela a revista é montada – as páginas foram importadas para o programa. As falas foram introduzidas e permanecem “soltas” da imagem. E isso tem uma função gráfica, também serve para fazer qualquer alteração no texto, se necessário, e nos casos de licenciamento, o idioma pode ser trocado.


Este processo foi feito página por página. E voilá! Eis um volume de tankohon! ^_____^


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Boas Festas e Cookies da Vovó Greta!

Para comemorar as festas, nós escolhemos mostrar como é feito o Cookie de Nozes que aparece no site de Zucker. Essa é uma receita tradicional e muito gostosa! Esperamos que aprecie! ^_____^

Cookies de Nozes

Ingredientes:

100g de manteiga em temperatura ambiente
150g de açúcar refinado
1 cálice de rum
2 gemas cozidas
250g de farinha de trigo
100g de nozes moídas
Clara de ovo e açúcar cristal para polvilhar

Modo de Fazer:

Junte a manteiga e a farinha, e misture até obter uma farofa.

Ela ficará como na imagem acima.

Em seguida acrescente o açúcar, as nozes, as gemas cozidas amassadas e o rum.

Misture com a mão até obter uma massa que desgrude da tigela. Faça uma bola e deixe descansar por 1 hora.

Molde um cilindro com a massa e corte em 16 partes. Se quiser, pode cortar maior ou menor, de acordo com seu gosto.

Modele os biscoitos fazendo bolinhas, e depois achate-as.

Coloque os biscoitos lado a lado em uma forma forrada com papel-manteiga.

Pincele clara de ovo e polvilhe com o açúcar cristal.

Leve para assar em forno com temperatura de 180°C por, aproximadamente, 20 minutos. Estará pronto quando o fundo dos biscoitos estiver douradinho e a parte de cima clara.

Dica da Vovó Greta: pode-se variar a receita trocando as nozes por avelãs e acrescentando 100gr de chocolate em pó (aquele dos padres, não vale achocolatado porque na composição vai açúcar). Neste caso, acrescente mais um cálice de rum.

O modo de fazer é o mesmo dos cookies de nozes.

Depois de assado, espere esfriar e guarde em potes bem fechados. Você também pode fazer pequenas lembrancinhas e presentear seus parentes e amigos. ^____^

Desejamos um Feliz Natal e um Próspero e Produtivo 2011!!!


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