Preparando os próximos trabalhos!

shermor

Estamos quietinhas, não?

Sim, estamos fazendo várias coisas e por isso estamos assim, tão quietinhas. ^___^

Nos últimos meses estivemos planejando e organizando os trabalhos que estamos produzindo e vamos produzir, mas antes falaremos um pouquinho do que já foi feito:

Os Ronins: publicado originalmente no jornal Florida Review para a colônia brasileira na Flórida, a série de tirinhas foi reeditada na revista Neo Tokyo em 14 edições, de 2008 a 2009;

Zucker: essa série foi publicada integralmente entre 2009 e 2010 na revista Neo Tokyo. Sua edição compilada e estendida saiu na sequência, num volume único e não há planos para uma continuação, devido a outros projetos que achamos mais prioritários, no momento. O encadernado vende até hoje e é muito legal ver a receptividade do público em relação a ele;

Mitsar: uma aventura de pequeno porte, prévia de Sete Dias em Alesh, publicada integralmente entre 2010 e 2012. Ao contrário de Zucker, ela não terá um volume compilado exclusivo. Sairá como um extra da série Sete Dias em Alesh assim que esta estiver pronta. Nesse meio tempo, nós a colocaremos on-line para leitura na próxima atualização do nosso site;

Contos de Sher Mor: foram disponibilizados originalmente on-line e depois publicados na íntegra na revista Neo Tokyo de 2010 até este ano (2013). Houve uma procura bem grande pela série por vários leitores. Por isso, mais uma vez, os contos serão disponibilizados on-line, num formato tipo light novel para quem não pôde acompanhar, também na próxima atualização.

7_dias_alesh

Aliás, muitas coisas novas estarão disponíveis no site do Studio Seasons:

– a série on-line Laser Boy terá andamento;
– começaremos a publicar os capítulos iniciais de Sete Dias em Alesh, para o público conhecer as novas aventuras que envolvem Khemis e as outras personagens de Mitsar;
– teremos uma nova light novel, Zona Quantum, de ficção científica que será colocada para leitura;

zona_quantum

Além disso, disponibilizaremos alguns brindes para quem curte as histórias, como wallpapers e marcadores de livros para quem quiser imprimir. ^_____^

Durante o ano anterior, estivemos envolvidas no projeto do Guia de Produção de Mangá; esse guia já está pronto e aguarda o aval da editora.

Simone também esteve ocupada com alguns trabalhos extras para projetos externos e, por isso, ainda não pode finalizar Helena (adaptação do livro de Machado de Assis), mas o projeto continua andando e está ficando muito bonito.

helena

A série Biblios está sendo estudada pela Montserrat para funcionar como uma light novel com páginas em quadrinhos mescladas ao texto. Primeiro ela está montando a estrutura de Zona Quantum e querendo dar continuidade a Contos de Sher Mor para, futuramente, começar a produzir Biblios de forma mais contínua.

Sylvia retomou Laser Boy e Alesh, e agora está produzindo as duas séries alternadamente.

A atualização do site é um trabalho extra, onde sempre estamos pensando no que pode ser oferecido aos leitores tanto visualmente como em relação a conteúdo. Esse processo também é trabalhoso e temos de produzir várias ilustrações para ele também. Existem muitas ideias para outros projetos cujos roteiros já estão prontos, mas infelizmente nossas mãos não dão conta de tudo, então o negócio é ir fazendo aos poucos.

Ficamos felizes em ver que os projetos iniciados e finalizados na revista Neo Tokyo nos trouxeram um novo público e, como calculamos, nos deram possibilidade de uma reciclagem que terá continuidade em nossos projetos já conhecidos e nos novos trabalhos. Um saldo super positivo para o futuro.

Agradecemos a todos que nos acompanham e conhecem nosso dia a dia corrido.

E vamos em frente! ^__^

Um abraço das integrantes do Studio Seasons!


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Curso de mangá em Guarulhos

hq-company

Estivemos observando no nosso relatório de acessos uma grande procura por cursos de mangá e desenhos em Guarulhos. Para o pessoal que está interessado em se aprimorar nessa área, a nossa indicação é a escola HQ Company que ministra cursos de HQ, mangá, desenho artístico e outros.  Além de ter uma boa estrutura, conta com o reforço de professores experientes como o Murilo Artknight, que fez as ilustrações da nossa light novel Contos de Sher Mor para a revista Neo Tokyo.

Para maiores informações:

HQ Company – Escola de Artes
Rua Gilberto Dini, 90
Bom Clima
Guarulhos | SP

Tel: (11) 2358-9486

Emails:
contato@hqcompanyescola.com.br
inscricoes@hqcompanyescola.com.br

Site e Blog:
http://www.hqcompanyescola.com.br
http://hqcompany.blogspot.com


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A força da imagem e o poder da informação

Alfred Hitchcock, o mestre dos filmes de suspense, certa vez, durante as filmagens de seu filme Janela Indiscreta, exemplificou a força da imagem da seguinte maneira:

“Pense num homem observando algo através de uma janela e sorrindo. Em seguida, corte a cena e enfoque no objeto de sua observação: outra janela num prédio à frente. Se você colocar uma mulher com um bebê no colo, automaticamente, o espectador imaginará que o homem é uma pessoa sensível, uma boa pessoa. Mas… tire essa imagem e no lugar da mulher com o bebê, coloque uma garota, despindo-se. Pronto! Seu homem de bem virou um pervertido. Vê? Essa é a força de uma imagem!”

Bem, Hitchock entendia muito bem de imagem e seus simbolismos, da mesma forma que também sabia usá-la para obter o efeito desejado. Ele começou cedo, mesmo antes do cinema, trabalhando no departamento de publicidade da Telegraph Henley, empresa que colaborou com o governo inglês na Primeira Guerra Mundial.

Mas o que isso tem a ver com esse post, afinal?

Vamos ilustrar o exemplo de Hithcock com algo que aconteceu essa semana. Vê a foto do post? Imagine que o ator ao invés de um mangá esteja lendo um livro. O que você imaginaria? Que ele é um intelectual, culto, um homem estudado? E se fosse um jornal esportivo? Seria um sujeito que gosta de futebol, mais dinâmico? Se o colocarmos lendo o próprio mangá, ele lhe parecerá alguém mais jovem do que é, um descolado, um fã de quadrinhos, ou algo assim? A cada objeto que é colocado em suas mãos, mudam-se as características do personagem – se você altera a imagem, sua mente a interpreta de “n” formas através de associação visual.

Agora vamos brincar um pouco mais fundo.

Você vê esse personagem lendo mangá e recebe a informação de que é uma pessoa “legal”, que trabalha ou estuda, enfim, alguém que se esforça para ser uma pessoa melhor. O que vem a sua mente? Ele lê quadrinhos, mas é um cara legal, então quadrinhos são coisas que podem ser lidas por pessoas de “bem”. Certo. Mas, e se a pessoa em questão é um mau caráter, um mentiroso manipulador e um vagabundo por opção? O que um indivíduo como esse pode ler de bom num mangá, já que ele segue um arquétipo “errado”? Mangás, dessa forma, se tornam uma leitura atrativa para desajustados. Curioso, não? Esse é o poder da informação!

Essa cena aconteceu nessa quinta-feira, 29/11/2012, no capítulo que foi ao ar da novela Guerra dos Sexos. O personagem Zenon apareceu lendo um volume do mangá shounen Tsubasa Reservoir Chronicle da Clamp (sim, é um shounen! Era publicado na Weekly Shounen Magazine). Não, ele não é um cara legal, é o personagem tipo desajustado, trapaceiro, mau caráter e manipulador.  Você que lê quadrinhos pode saber que isso não tem nada a ver. Qualquer um poderia ler quadrinhos, assim como muita gente sacana lê Ilíada de Homero e isso não é um indicativo de caráter. Mas o público em geral, para o qual as novelas são direcionadas, acredita em mensagens de massa, em pacotes informativos prontos, de forma comodista e subconsciente, claro, e é dessa forma que compram ideias por associação direta. “Vilões leem coisas que não prestam e ponto.” O Mau absorve o Mau, o Bem absorve o Bem; simples maniqueísmo.

“Quadrinhos são vistos como um material transgressor que só serve de atrativo para pessoas desocupadas.” Essa ideia surgiu nos anos 50, basicamente e, até hoje, permeia o imaginário popular. Mas espera aí? Você lê quadrinhos? É legal, estuda ou trabalha? Esforça-se de alguma forma e não foi “corrompido” por esse tipo de leitura? Não sacaneia gente boa ou mente para atingir objetivos sórdidos? Quer ser uma pessoa melhor no mundo? Então, por que quadrinhos ainda são retratados como leitura para os desajustados, sabendo-se que não é um material “maligno” ou corruptor de caráter, conseguindo, depois de muitos anos de esforço, ser visto como uma forma de literatura?

Por que a mídia televisiva faz esse desserviço constante a esse veículo de entretenimento e leitura? Marketing? Pouco provável, não? Afinal, pela lógica, uma editora nunca gastaria uma grana absurda para divulgar, numa novela, um título que já se encerrou e, ainda por cima,  visto nas mãos do pior exemplo de pessoa.

Você pode pensar que talvez tenha sido coincidência. Uma cena aleatória? Bem, não acreditamos em cenas aleatórias feitas em um grande veículo de comunicação como a televisão, e não é a primeira vez que essa emissora expõem quadrinhos (em especial, mangá) como um produto corruptor. Na novela “Senhora de Destino”, existe menção similar onde um personagem fora dos padrões é visto lendo uma revista fictícia com a palavra mangá escrita em letras de destaque na capa. Feito para ser vista. Coincidências?

Vimos alguns leitores inocentes comemorando a aparição de um personagem global lendo um mangá. Para nós que produzimos quadrinhos e que conhecemos o poder de uma história, de uma informação e de uma imagem, não há nada para se comemorar. Não, nessas condições.

E você, o que vê?


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Quadrinhos e Representatividade

Já faz algum tempo que queria escrever isso, depois de uma série de pequenos episódios curiosos! Já que estamos no mês de aniversário de 16 anos do Studio Seasons, vamos falar de coisas pontuais sobre fazer quadrinhos e fazê-los com mulheres… para todos!

Começando. Li o magnífico Dicionário das Mulheres do Brasil (Zahar), organizado por Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil. Material excelente para referência de personagens femininas que fizeram a história do Brasil. O curioso ao folhearmos a obra é nos deparamos com a incrível piloto, Ada Rogato, detentora de feitos aéreos maravilhosos nos anos 50, ou a pioneira radioatriz Cordélia Ferreira. E quem sabe aqui, que Léa Campos se tornou a primeira mulher árbitro do mundo em 1971?
Pois é, todas essas e muitas outras mulheres que romperam barreiras em seu tempo são personagens maravilhosas ou, senão, base para personagens incríveis num Brasil totalmente possível e extraordinário de ser mostrado em quadrinhos, e até num mundo imaginário. Nada de didático! Nada de textos educacionais! Estou falando de aventura, de sonhos, de romper limites, barreiras! Mulheres que fundaram jornais, lutaram por igualdade, foram as ruas, voaram nos céus, se tornaram médicas, mulheres fabulosas e, infelizmente, mulheres esquecidas de nossa história. É nessas mulheres que vale a pena se basear para criar personagens, não em garotas idealizadas e superficiais, impressas em travesseiros, com sonhos de consumo sem sentido. E se você pensa que elas dariam mulheres chatas ou velhas, lembre-se que todas elas foram garotas jovens e cheias de força de vontade. Elas, sim, são dignas de serem representadas. Há um bom tempo, no grupo de discussão Mulheres em Quadrinhos no Facebook surgiu a questão da representatividade feminina, não apenas das personagens, mas da nossa representatividade como autoras, coloristas e desenhistas na área de quadrinhos. Dessa discussão surgiu a ideia de criar uma revista feita por mulheres chamada Inverna, a exemplo de outras revistas estrangeiras que abordam essa questão. Ela está em processo de captação de material para seu número inicial, e vale muito a pena conhecer. O blog da revista pode ser acessado aqui.
Vamos lá, garotas! Animem-se e mostrem suas capacidades! E não, não é material que só pode ser lido por mulheres! Homens, por favor, animem-se a conhecer esse universo, ele é seu também. Sejam bem-vindos! Vamos jogar fora essa tarja ridícula de que mulher só escreve história de mulher para mulher. Cruzes! Estamos no século 21, pessoal!

Gostaria de aproveitar a deixa sobre representatividade e falar de outro tema legal: nosso folclore. Em outubro alguns comemoravam o Halloween e outros, o dia do Saci (criado para combater o Halloween). Sou da opinião que o caminho não é tentar exterminar o Halloween, mas sim resgatar nosso folclore. Se as pessoas gostam de tradições de fora, tudo bem, não tem nada de errado nisso, mas vamos conhecer as nossas também. Folclore brasileiro é chato? Parece que é! O folclore infantilizado e didático ensinado nas escolas é um porre, mas vá atrás do nosso folclore real, das obras e registros de Luiz Câmara Cascudo e vai descobrir demônios indígenas devoradores escondidos nas matas, tatu branco e um saci agourento, chamariz de má sorte. O erro da nossa sociedade foi tentar fazer nosso folclore se tornar digerível para as crianças quando era assunto de gente grande; foi feito para assustar e preencher nosso imaginário com medos e superstições. Alguém vê zumbi bonzinho, bruxas simpáticas ou vampiros amiguinhos (Crepúsculo não vale) na iconografia das festas de Halloween!? Todo mundo quer o fantástico, o extraordinário, o sobrenatural permeando sua realidade e, isso, nossas tradições têm de sobra. É um fato que, toda vez que se tenta “didatizar” o horror, ele se torna ridículo ou motivo de sátira. A função do horror, do sobrenatural, é mexer conosco, nos incomodar, nos fazer sair do lugar, uma função muitas vezes social e filosófica. Esconder nos mitos sua natureza animista e primeva, através de cartilhas didáticas cristãs, foi um desserviço às nossas tradições e cultura. Então, autores? Que tal trazer esse material à tona e dar um up nele? Remasterizar, turbinar. Todo mundo lá fora faz isso, nós é que estamos “moscando”. Para variar!

Há um mês aproximadamente, recepcionei uma estudiosa francesa que está fazendo uma pesquisa no Brasil sobre quadrinhos, e fiquei maravilhada com sua visão e interesse em relação aos trabalhos feitos aqui. Selecionou nosso trabalho Zucker, no qual colocamos elementos da cultura do Sul, e chamou-lhe muito a atenção as notas de rodapé. Ela visualizou como um trabalho detalhado e rico (que ironia: os europeus respeitam isso, e aqui existem os “entendidos” querendo criticar todo esse cuidado técnico. Foi justamente esse cuidado que fez com que nos destacássemos em sua pesquisa). Tive a oportunidade de mostrar vários trabalhos nacionais, inclusive Madenka de Will Walbr como um exemplo de exploração de nosso folclore nos quadrinhos com o tema revisitado e valorizado.

Bem, resumindo: existe um mundo de coisas para se conhecer. Então, leiam mais livros de pesquisa e passem menos tempo vendo desenhos no computador se quiserem trabalhar com quadrinhos. Para se fazer quadrinhos é preciso conhecer os signos, as mensagens e questionar os conceitos estabelecidos na sociedade. Verificar as ideias e ver se são válidas mesmo. Conhecer, buscar!

Nada contra seu ponto de vista, mas tem certeza que ele é seu mesmo?


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Mulheres, Quadrinhos, Mídia… e Mangá

Aconteceu há pouco tempo: uma revista virtual resolveu escrever um artigo sobre quadrinistas nacionais. Muito bom, toda propaganda é interessante e bem-vinda, mas…

O inusitado é tão comum que a maioria das pessoas não percebe – a revista citou apenas profissionais homens como autores nacionais… mais uma vez.

Inusitado deveria ser, por estarmos em pleno século XXI, com mídias como a internet à mão onde pipocam informações referentes a quadrinhos, lançamentos e projetos, quando não blogs que oferecem artigos qualificados e entrevistas com profissionais. Os próprios artistas navegam no mundo das comunidades virtuais e são bem acessíveis oferecendo não apenas suas páginas pessoais, como seus sites e blogs de trabalho. Comum é, porque as pessoas não percebem o quanto a sociedade está atrasada em relação às suas posturas sociais e necessidades de revisitar conceitos, fazendo acreditar que mulheres não atuam na área de quadrinhos, afinal, isso é coisa de homens.

Não, antes de tudo, não é culpa dos autores “homens”, vamos deixar claro. Dezenas de profissionais nacionais não apenas apoiam como trocam ideias com autoras. Não vamos buscar culpados, vamos observar conceitos e analisar se estes padrões são nossos também. É mais construtivo.

Mulheres fazem quadrinhos e ponto. Deveriam existir dúvidas quanto a isso?

Isso aconteceu com Montserrat do Studio Seasons. Certa vez, ela foi a uma reunião com um profissional da área e conversaram muito sobre quadrinhos e autores. A certa altura essa pessoa disse a seguinte frase: “Então… precisamos marcar uma reunião com as mulheres que fazem quadrinhos para saber o que elas querem, o que pensam… esse lance de histórias com romances e florzinhas…” – Naquele momento, todos os anos de experiência como escritora e roteirista, todas as suas histórias, sua criatividade, seu estudo, conhecimento e leitura foram resumidos em duas palavras: romances e florzinhas. Ela continuou, tranquilamente, observando aquela pessoa e pensou duas coisas: “Deus, ele não sabe nada sobre mulheres que fazem quadrinhos e pior: ele acha que conseguirá reunir todas elas numa única mesa!”.

Esses dois pontos são vitais: o que fazemos e quem somos.

Mulheres podem e devem escrever sobre o universo que conhecem e dominam bem: essa é uma das regras de ouro da escrita… não importa qual seja seu universo e o seu sexo. Por dominar entendemos aquilo que é abrangido dentro de nossas experiências perceptivas, intelectuais, emocionais, educacionais e culturais. Ou seja, uma mulher poder escrever sobre qualquer coisa em potencial, assim como um homem.

“Tudo bem, vocês podem fazer quadrinhos… desde que sejam para vocês mesmas!”

Mulheres podem produzir para homens? Claro que sim. Não existe nada que impeça tal ato em nenhuma área das artes e não é diferente nos quadrinhos. Se existiram e existem homens que focam mulheres como público, a recíproca é igual. Somos totalmente capazes de compreender e produzir obras de qualquer estilo para qualquer público. “Ah! Mas homens escrevem X e mulheres escrevem Y” – Desculpe, ninguém escreve ou produz igual, nem pertencendo ao mesmo sexo. Isso se chama diversidade! Pessoas têm pontos de vista diferentes e sempre haverá quem deseje conhecê-los. Se homens produzem dentro de um padrão é porque, primordialmente, se propõem a seguir moldes comerciais e os aceitam – isso não tem nada a ver com superioridade sexual. A maior prova disso é que, no Japão, existem diversas mangakas consagradas como autoras de títulos focados para público masculino, do mesmo modo que muitos autores homens fizeram sucesso escrevendo para mulheres. É apenas uma questão de se adequar ao padrão e seguir suas regras, usando sua capacidade de percepção para reconhecer o perfil de seu leitor. Por outro lado, se um leitor não aprecia uma história a culpa não é da história ou do sexo do autor; o leitor simplesmente não se identificou com o conteúdo da obra e, naquele momento, aquilo não lhe trouxe o retorno esperado. Simples: ele deve procurar uma obra que lhe agrade.

Quantas vezes nós mesmas do Studio Seasons ouvimos pessoas nos perguntando: vocês fazem shoujo, não é? Pessoas, shoujo é um termo de classificação dos mangás japoneses focados para jovens mulheres até determinada faixa etária, não designador do sexo do/a autor/a! Por sermos mulheres, não somos, obrigatoriamente, autoras de shoujo.

Mas onde estamos? Espalhadas pelo Brasil e sim, atuando seja aqui ou no exterior. Roteiristas, ilustradoras, coloristas, capistas, quadrinistas de todos os estilos, alternativos, clássicos, mangás, etc! Agora, podem observar: quantas mídias falam de autoras mulheres? Quando são feitas listas, são citadas? Quantas vezes são mencionadas em entrevistas ou reportagens?

A mídia não conhece? Verdade… a mídia convencional não conhece, mas o que dizer da mídia especializada? Porque insistem em fazer listas e citar até alguns artistas que estão inativos há anos, mas se eximem de citar autoras ativas e a pior parte: quando o fazem, o mostram como exceção – “Observem, esta é a ave-do-paraíso esmeralda!” – São poucos os veículos que tratam as profissionais mulheres e sua existência com naturalidade (e geralmente são espaços comandados por mulheres. Notem). Será que o material feminino é tão pouco relevante que deva ser deixado de lado? O trabalho e esforço de mulheres pelo Brasil afora não deve ser lembrado e reconhecido? Nossos sonhos são diferentes dos sonhos dos homens? Alguém acredita nisso em pleno século XXI!?

O silêncio das mídias e a falta de interesse em valorizar trabalhos feitos por mulheres provocam a falta de informação e o efeito “invisível” aos quais todas são expostas constantemente. O preconceito não existe? Deve ser então, como o racismo, que também não existe no Brasil, afinal somos um país multirracial.

E é essa pluralidade de etnias e culturas que nos leva a outro ponto: a tentativa de criar a ditadura das “Belas Artes e dos traços nacionais”. Muitas pessoas conhecem casos de jovens que foram, literalmente, coagidos por professores de faculdades de Belas Artes a abandonar suas habilidades e estilos por não se encaixarem com a ordem vigente da arte Ocidental, ignorando totalmente o potencial do aluno. Não, não é culpa da arte. É que, simplesmente, algumas pessoas acreditam que são seres iluminados e tem o poder de definir o que é ou não é arte. Também é impressionante como certos grupos e suas “mídias-chapas” tentam criar uma mentalidade de unidade artística nos quadrinhos brasileiros. Todos devem desenhar segundo a mesma cartilha ou seguindo os mesmos conceitos, para que a arte nacional tenha uma “identidade”… isso é tão camisa verde que chega a ser assustador. Se você é um profissional, mas não segue essas regras, você está errado, não importa se opta por trabalhar com uma linguagem gráfica no qual se sente à vontade e sabe que pode gerar resultados melhores do que ficar forçando estilos com os quais não se identifica. Segundo os partidários do vamos-criar-um-traço-que-não-existe e fingir-que-não-temos-influências-externas esse autor deve ser execrável. Adotar um estilo diferente do que certos grupos defendem e tentar publicar no Brasil? – “Que ousadia!!!” Conseguir publicar no seu país? – “Como foi que isso aconteceu!? Quem deixou ‘isso’ passar!???”

Ah, sim, pode ficar pior… se você for mulher.

Liberdade de expressão é apenas um detalhe, no final das contas.

Gostaríamos de dizer que este artigo não é apenas dedicado as mulheres, ou as mulheres que desenham no estilo mangá, mas a todos os homens, profissionais contratados, reconhecidos, independentes e alternativos que não apenas acreditam na diversidade de estilos para enriquecer e enobrecer uma cultura, mas que acreditam na igualdade dos seres humanos.

Ah! A revista do começo do post? Ela não fez um artigo para falar das autoras alegando que eles não tinham espaço para tal (como uma revista virtual não tem espaço!? 0____o) – ela soltou uma lista (que foi redigida por uma pessoa interessada e mandou para a mesma). Esta foi decepada por uma avaliação totalmente “iluminada”, gerando uma lista de “avis rara”!

Sim, e nós continuaremos aqui, produzindo quadrinhos! ^_____^


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Quadrinhos e o Mundo Corporativo

Todos os sábados, a rádio CBN exibe um boletim denominado Mundo Corporativo que fala sobre as estratégias e inovações comportamentais do mundo empresarial. São entrevistados especialistas e estudiosos no assunto que dão dicas muito interessantes e nos auxiliam a observar situações do dia a dia sob um aspecto mais cuidadoso. Indicamos esses programas para os profissionais da área de desenho e editores por possuir conceitos que são adaptáveis para todas as situações que vivemos. Não importa se você é um profissional isolado, uma equipe ou editora, essas dicas valem para todos. Ouçam! O tema de hoje, em especial, é a “Resiliência” que é a capacidade do indivíduo de se adaptar e resolver problemas em situações de estresse e de sucesso também.  É muito interessante e sim, esses conceitos funcionam.

Para ouvir a entrevista sobre resiliência clique aqui.

Ouçam, meditem e meçam sua resiliência. Não é uma fórmula mágica, é um ótimo exercício mental e de autoconhecimento! ^___^


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Participação do Studio Seasons no @Shoujocast!

Esta semana fomos convidadas para participar do Shoujocast #50, podcast do blog Shoujo Café.
Este shoujocast será feito em formato de entrevista com a participação do público. Quem desejar nos fazer perguntas, entre no post do blog para maiores informações! ^_______^


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Feliz Natal e Feliz 2012!

Um antigo costume de Natal é a montagem do Presépio. Segundo a tradição, foi montado pela primeira vez por São Francisco de Assis. No Brasil, assim como em outros países, esse costume de representar o nascimento do Menino Jesus ainda persiste e foi enriquecido com variantes de acordo com os povos e suas tradições.
Como estamos adaptando Helena de Machado de Assis, este ano, resolvemos que o cartão de Natal do Studio Seasons seria uma cena com os protagonistas montando o Presépio. Tradicionalmente, este é montado sem a figura do Menino Jesus que só é colocada na noite de Natal, para reforçar a ideia de seu nascimento.
Mas a representação do Menino Jesus também significa a vinda de seus preceitos de Amor ao próximo, Paz, Verdade e Justiça para todas as pessoas. Dessa forma, o Natal extrapola seus conceitos exclusivamente cristãos para nos falar de boa vontade e generosidade. É esse espírito que deve persistir entre as pessoas, independe do que a sociedade impõe – valores que nos fazem sermos pessoas melhores para um mundo melhor. Que o Menino Jesus represente sempre, para todos, independente de sua religião ou crença, a vinda e permanência de algo que nunca deveria ser esquecido: Amor Universal.

O Studio Seasons deseja um Feliz Natal e um Feliz 2012 para todos!


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A Profissão de Mangaká

Nos dias 8 e 9 de setembro, aconteceu em Guarulhos a 2ª Feira do Estudante. Montserrat, que também trabalha com a equipe da Biblioteca Monteiro Lobato cuidando do acervo da gibiteca/mangateca, esteve lá para dar uma mini-palestra. Durante uma hora falou sobre a profissão de mangaká e de como se preparar para trabalhar com quadrinhos no Brasil. No final ela respondeu perguntas dos presentes.

A Folha Metropolitana fez a cobertura do evento (a foto da Montserrat saiu no artigo on-line ^__^).  O link é este aqui.


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Bakuman e o Deus ex Machina da Jump

 

Finalmente Bakuman chegou às bancas nacionais e, ao contrário de outras séries que analisamos, resolvemos propor um artigo mais focado no objetivo principal da obra.

Observamos diversas resenhas sobre a série e sabemos que existem aqueles que adoram e aqueles que odeiam a mesma. Qual deles pode estar certo? Todos, dentro de seus pontos de vista particulares. Mas a questão é: qual é o objetivo de Bakuman? É uma história sobre dois rapazes que desejam se tornar mangakas de renome, narrada como uma aventura semi-fantasiosa ou um guia de “como trabalhar para a Jump”?

Se abordarmos Bakuman apenas como uma aventura, perceberemos que ela segue os moldes tradicionais das fórmulas shounen, com o personagem A lutando para atingir seu objetivo e, para isso, tendo de transpor diversos obstáculos. O personagem A em questão é Mashiro e seu sonho é casar-se com Azuki; para isso, ele deve se tornar um mangaká com a ajuda de Akito. No início Mashiro não tem noção de seu sonho e de seu potencial apesar de gostar de Azuki e de ser um talentoso desenhista, e é aí que entra Akito – este sim tem o sonho de se tornar um autor famoso de mangás e, por esse motivo, funciona como a mola impulsionadora que ligará Mashiro ao mundo dos quadrinhos. A partir daí temos uma série de elementos que tornam Bakuman um verdadeiro conjunto de soluções “Deus ex machina”.

Para quem não sabe, o termo “Deus ex machina” refere-se sempre a uma inesperada, artificial ou improvável personagem, artefato ou acontecimento introduzido repentinamente numa história para resolver uma situação ou desembaraçar uma trama. Na Grécia antiga, muitas peças de teatro terminavam com um deus surgindo, suspenso, por um guindaste até o local da encenação. Esse deus, então, amarrava todas as pontas soltas da história. Desse modo, o termo sobreviveu até os dias de hoje.

E é justamente esse elemento grego que surge em boa quantidade em Bakuman:

Não basta Mashiro gostar de Azuki, deve haver algo que os una: Azuki quer ser dubladora, desse modo, Mashiro percebe que se Azuki ficar famosa, ele terá menos chances de ficar com ela. Isso o impulsionará a ficar famoso também;

O pânico de Mashiro se justifica com a história do tio que se tornou mangaká para poder ficar com uma garota, mas não conseguiu e, pasme, essa garota é a mãe de Azuki! Mashiro se vê pressionado psicologicamente a seguir o caminho do tio, com o objetivo de vencer onde este falhou;

Mashiro se declara para Azuki e ambos prometem que vão se casar somente quando ela dublar um desenho baseado num mangá dele. Até lá, só trocarão e-mails. Nem se falarão ao telefone! Bom… isso parece mais fetiche que amor, mas foi um Deus ex machina bem pelintra colocado para que a trama não se desvie do foco principal: Mashiro e Akito se tornarem mangakás na Jump. Tirando a mocinha do caminho, a trama se desenrola numa história sobre carreiras, apenas;

Porque seu tio morreu de exaustão de tanto trabalhar (a parte do corretivo é impagável!), imagina-se que a família de Mashiro será contra, mas não! O pai de Mashiro solta um “Homens têm sonhos que as mulheres não entendem.” Bem… isso é muito questionável! Mas, feminismos a parte, o autor se baseou no conceito “família japonesa” onde ter um bom emprego vale qualquer sacrifício, inclusive sua felicidade pessoal para o resto da vida! Numa sociedade machista, para as mulheres adaptadas a essa ideia, não é apenas importante ter um bom marido provedor, como ter um filho que se torne um futuro bom provedor para uma futura esposa. Nesse contexto, podemos entender a relação desigual dos pais de Mashiro e o Deus ex machina caiu como uma luva – e uma bomba machista. ^^ A ideia que Ohba joga no mangá talvez não seja machismo seu, mas o reflexo de um machismo social que ele mostra para justificar a solução do problema na trama;

O avô é notificado da decisão de Mashiro e, pasme de novo! Ele não estranha! Até dá as chaves do apartamento do tio falecido para Mashiro usar (pergunta que não quer calar: como uma família japonesa, num país em crise, mantém um apartamento e não faz nada com ele por anos!? Nem alugar? Imóveis são muito caros no Japão). Ele “apenas” ganhou um estúdio completamente montado e a família pagará suas contas até que ele possa se sustentar como mangaká! Achamos que esse deve ser o sonho de todo jovem aspirante a desenhista! Esse, é o melhor Deus ex machina de todo o primeiro volume. Mashiro e Akito ganham tudo de “mão beijada”: local, materiais, referências para estudo e contas pagas.

Bem, Deus ex machina é um recurso aceito em teatro, literatura e histórias em quadrinhos, contudo, usado em quantidade, soa como falta de imaginação e incapacidade para desenvolver tramas, mas será este o caso de Bakuman? Uma obra feita pelo mesmo roteirista de Death Note, seria tão cheia de pontos questionáveis, por nada?

Isso nos leva a segunda opção do início de nosso artigo. Se, por um lado, Bakuman surge como uma obra semi-fantasiosa para agradar um nicho de leitores que não apenas curtem ler, mas desenhar, ela também acaba se tornando um “guia de como trabalhar com a Jump” para muitos desses leitores que desejam ir além do “desenho por hobbie” e se tornar profissionais.

Se encararmos a obra por este ângulo, todos os Deus ex machina se justificam, pois o foco é mostrar como alguém pode entrar e se tornar um mangaká e a história dos personagens ganha um sentido menor, contudo… será que o material preenche as necessidades desse outro leitor?

Bakuman se foca, basicamente, no conceito de como “apostar” numa história e, talvez, fazer sucesso suficiente com ela. Nesse meio tempo os autores tentam, tentam e tentam. Essa é a meta da obra: ensinar como sobreviver no mundo editorial. Algumas coisas que Bakuman fala procedem, contudo, os editores da Jump omitiram um ponto muito importante: a iniciação.

Como a obra foca em editar um título, ela ignora o início que é justamente a parte mais complicada; aprender a desenhar, conhecer materiais, saber diagramar, coisas assim.

Nota-se que mesmo Akito não conhecendo certos detalhes, tem Mashiro que o guia pelo mundo do mangá por causa de sua experiência com o tio e é aí que percebemos o ponto fraco: Mashiro já sabe quase tudo da parte técnica. Ele desenha, conhece conceitos de name, aplicação de retículas, tinta, materiais, composição (e o que ele não sabe, aprende rápido, como usar um bico de pena, por exemplo!). A única coisa que lhe falta é uma história!

Só que na vida real não é assim, essa “etapa” eliminada na obra é aquilo que mais derruba iniciantes! Se o aspirante não se disciplina já no processo de desenho e roteiro, não consegue passar nas outras etapas!

Desse modo, a Jump quase passa um recado ao leitor: “Para chegar até nós, não venha cru. Não te ensinaremos nada, só te orientaremos se você já estiver preparado para ser um desenhista.”

E desse mesmo modo, a Jump também suaviza muito do que acontece no mundo editorial, contando uma história que é meio fantasia, meio um guia.

Mas, o mais interessante é perceber que uma revista como a Jump se preocupou em publicar um título com esse tema. Sim, não é a primeira vez que se faz isso e a própria série menciona esse detalhe quando Akito lê “A Condição de ser um homem” de Ikki Kajiwara, falando sobre as cinco regras para um mangaká. Isso nos aponta para um indicativo de que, de tempos em tempos, a Jump tem de atrair leitores que gostam de desenhar e incitá-los a se tornarem mangakás. E, isso significa…? Que o mercado está fraco de autores? Que de tempos em tempos as fórmulas precisam ser ensinadas ou relembradas? Que a Jump necessita de mais gente porque existe um desgaste natural? Quando seus atuais carros-chefe saírem, ela pode levar um tombo comercial e, desde já precisa de talentos que sejam treinados para preencher estas vagas? Pode ser tudo isso.

Mas é um indicativo também de que a sociedade está mudando e toda vez que ela muda, se faz necessário atrair pessoas para que continue uma tradição. E que maneira mais atraente de fazer isso do que colocando uma história fantasiosa sobre algo real? A Jump precisa de autores que sigam seu perfil e suas regras e ela criou Bakuman para isso. Tudo ali é o que os editores da Jump desejam e como eles desejam.

Sobre o público brasileiro que lê Bakuman, ele deve estar ciente de que a obra fala do mercado japonês e de uma antologia japonesa. Não é nossa realidade, nem são nossos leitores ou nossa cultura. Pode existir um conceito editorial como o da Jump no Brasil? Sim, mas os números de vendagem serão bem diferentes e os leitores também.

Também é importante que o leitor compreenda que a ausência das etapas mencionadas na obra é justamente o que faz mais falta no Brasil; esse processo de estudo e preparação para criação e confecção de um trabalho. Detalhes como materiais, produção e conhecimento sobre direitos autorais são muito vagos aqui e precisam ser compreendidos dentro do nosso âmbito nacional.

Certos conceitos colocados pelos personagens são baseados em opiniões particulares e não em “verdades de mercado”. Quando Akito cita que “se alguém pode viver só de uma obra, já é genial por si só” força as fronteiras da fantasia – isso está mais para planejamento comercial que genialidade. Genialidade seria emplacar várias obras de extremo sucesso em sequência e pouquíssimos mangakás conseguiram fazer isso em toda história do mangá japonês. O mais comum é sempre haver uma baixa depois de um título de sucesso. Viver dos produtos gerados por uma série popular é um planejamento de mercado e uma consequência. Se um autor se prende apenas a isso e estaciona, pode viver bem, mas artística e criativamente falando, também pode se enterrar vivo.

Aliás, Bakuman parece gostar de vender fácil a ideia de “mangaká de sucesso = gênio”. Isso é bem Jump, mas muito pouco real. O que leva uma obra a se tornar um sucesso de mercado está muito mais ligado a tendências, comportamentos sociais e culturais do que a extrema criatividade de um artista, embora esse seja um item indispensável. Infelizmente muita coisa boa não recebe o destaque que merecia no Japão, assim como muita coisa duvidosa pode “bombar” pelos motivos mais estranhos. Nesse ponto, o conceito de “sorte” e “aposta” de Mashiro não é tão deslocado, mas desbanca o conceito de gênio vendido na mesma história pela Jump, a não ser que genialidade para eles signifique ser sortudo!

A genialidade de um mangaká está em “observar” as tendências culturais e conseguir filtrar elementos que possam fazer sua obra se tornar um hit. No entanto, num mercado de consumo como o atual, é difícil manter um hit popular por muito tempo, portanto, vale muito mais um autor que possa jogar séries de boa vendagem, em sequência, do que um que seja um estouro e depois apague como fogo de artifício. Grandes hits podem dar boas vendas e gerar produtos (Naruto, One Piece e Bleach não estão sendo esticados à toa!), mas depois deixam grandes vãos, se não houver ninguém para ocupar o lugar. No Ocidente, isso é mais evidente com a queda nas vendas porque os leitores se cansaram de acompanhar algumas dessas séries infindáveis.

Assim como para os personagens de Bakuman o trabalho para um aspirante não é fácil e exige muito mais raciocínio e capacidade criativa que apenas sonho. A questão final é: de que maneira o leitor pretende encarar Bakuman? Porque, no final das contas, ele é apenas uma ficção sobre qualquer aspecto que se olhe.

 

(P.S.: E sim! Nós já lemos Bakuman.)

 

Bakuman – vol. 01   JBC
Autor: Tsugumi Ohba e Takeshi Obata
Formato: 13,5x 20,5 cm
Páginas: 208 páginas
Periodicidade: mensal
Preço: R$ 10,90


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