Odisséia

Mês passado fui convidada a participar de um programa de televisão aqui do Rio sobre mangá. O título deste artigo parece estranho, mas assim que o lerem vão entender bem o porquê do nome!
Aconteceu tudo muito rápido: recebi um telefonema de uma pessoa querendo informações sobre o curso de mangá. Assim que falei que eu era a professora, o cara do outro lado da linha se animou todo e acabou por me convidar para ser entrevistada num programa para jovens, feito ao vivo, que seria exibido numa terça-feira às 18:00h.
Acabei aceitando, e levei dois alunos meus a pedido da equipe de TV para que um ficasse desenhando e outro fazendo as vezes de fã.
Eu ainda tinha um fim-de-semana para preparar um material interessante com o intuito de fazer o público conhecer um pouco melhor esse gênero.
Tudo ótimo! Maravilhoso… até chegar na terça-feira! CAIU UM DILÚVIO! Chovia tanto que o guarda-chuva só servia para não molhar a cabeça porque o resto do corpo… e era chuva com vento!… Ahhhh! Meu guarda-chuva faleceu na ida! Na volta foi o funeral dele!
Para piorar, estávamos atrasados! O ônibus nos largou há quilômetros de onde queríamos estar!Resumo: chegamos faltando 20 minutos para a entrevista; estávamos descabelados, encharcados até os ossos e em cima da hora!
Corre aqui, corre ali, penteia cabelo no camarim, coloca maquiagem, seca blusa com secador de cabelos, troca a roupa dos garotos por outras, tudo isso em 15 minutos!!!! Saímos correndo para a sala de gravação faltando 3 minutos, despejei o material que tinha levado para mostrar numa mesa próxima e a contagem regressiva começou… três, dois, um… tá no ar!
Muita gente achou que eu estava nervosa, mas eu não estava! Estava elétrica de tanta correria! Era adrenalina mesmo!
Tinha muita coisa que eu gostaria de ter dito sobre mangás. Eu havia levado alguns para mostrar e queria falar algo sobre eles, foi aí que me dei conta que a apresentadora não sabia praticamente NADA do assunto! A gente tem sempre a sensação de que os apresentadores devem ter pelo menos uma base para poder questionar sobre um tema, mas não foi o que eu encontrei lá.
Pior que ainda dei um furo com o microfone. Que beleza! Quando o peguei para responder e não ouvi minha voz, achei que estivesse desligado! Hahahahahaha! Como estou acostumada com palestras, onde podemos ouvir a nossa voz nos alto-falantes, eu nem me toquei que o microfone lá era diferente. Foi por instinto ! XD
Essa mesma falta de costume foi o que pegou. Por quê? Oras, porque quando você dá uma palestra, normalmente prepara um material a ser exposto, certo? Vai preparado pra falar, mas para falar mesmo! Explicar com detalhes um tema, e lá a coisa foi bem diferente! Percebi depressa que na TV as respostas precisam ser curtinhas e objetivas e quando ela me cortou na primeira vez, eu vi que não ia dar muito certo. =P
Eu tinha a intenção de passar para as pessoas que não conhecem mangá o que ele realmente significa, mas do jeito que as perguntas foram formuladas, dar uma resposta curtinha era o mesmo que não falar nada!
Aí, ela fazia a pergunta, me vinha uma resposta enorme na cabeça e eu tinha de cortar na hora e ainda ter de passar alguma informação porque eu me recusava a ter ido lá só pra falar abobrinha! Sem mencionar que eu tive que me segurar para não corrigir a apresentadora! Se eu a corrigisse, corria o risco de ela me cortar numa boa e passar a palavra a outro entrevistado! Vocês não sabem como isso é desagradável! Ah, sim… as outras pessoas… eu não falei? Era um programa sobre mangá, mas eles pegaram tudo que tivesse alguma relação com o gênero – desse modo havia uma banda que tocava músicas de anime, um cara de cosplay e meus dois alunos… sem falar num cara fazendo grafitte numa parede (esse não estava lá pelo mangá, me disseram depois que é de praxe nesse programa sempre ter um grafiteiro) Conclusão: ela tinha de falar com todo mundo… num programa de uma hora! E eu achando que uma hora era muita coisa! =P
A pior parte foi quando a banda tocou Pegasus Fantasy e ela gritou na maior empolgação: “Narutooo!” Eu quis morrer….
Quando deu o primeiro intervalo, saí correndo para escolher algum mangá que eu pudesse mostrar e COMENTAR algo… – tentei mostrar uma página onde havia exercícios de matemática num mangá yonen que levei, mas a apresentadora, em sua correria habitual, acabou mostrando uma página de exercícios de escrita dizendo que era de matemática! Ahn…! Preciso dizer que ela não me deu tempo de corrigir!!!??? De avisar que aquilo não era matemática!? Eu juro que tentei, mas não deu! Ela foi falando por cima de mim e passou para outra pessoa!
No final da entrevista eu falava tudo correndo também!

Bem… foi interessante pela experiência.
Valeu como meio de informar as pessoas? Valeu para tirar dúvidas? Valeu para desfazer uma visão distorcida a respeito desse universo do mangá que rola por aí?
Não, infelizmente não valeu porque o que eu vi foi uma grande enrolação. Tudo bonitinho, transado, com cara de moderno e jovem, mas sem conteúdo algum porque, simplesmente, não há como essa informação ser passada de uma forma adequada num programa estruturado dessa maneira.
Confesso que fiquei um pouco chateada quando vi que o programa já estava terminando e que não falei nem 10 % do que gostaria de ter informado às pessoas. Pois é… uma pena! Acaba passando a impressão de que eles, no fundo, não estão realmente interessados em informar as pessoas. Fizeram um programa sobre mangá só porque está “na moda”.
Parece que os jovens não precisam estar informados, basta acharem o programa maneiro! Um bom programa não precisa se parecer com um telecurso; pode-se ser moderno, maneiro, atual, jovem e, ao mesmo tempo, informar e formar espectadores com opinião. Por que um programa voltado para jovens precisa ser tão vazio e superficial?
Não precisa e é essa visão que deve ser mudada!

Ahn? A minha volta!? Sim, uma outra odisséia, mas aí já é outra história. =P
Valeu, gente! ^________^


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Oracular

Fiz “Oracular”, a segunda Light Novel, dentro de “Contos de Sher Mor”, no mês de Fevereiro, o que me forçou a parar um pouco com a escrita dos roteiros. Já estou bolando na minha cabeça a próxima Light Novel da série, mal terminei essa… é assim mesmo, muita coisa pra fazer e pouco tempo! Aaaahhhh!!! Mas gostei do resultado; os contos estão saindo do jeito que eu queria e adorei as tatuagens mágicas dos elfos vermelhos, isso ainda vai dar muito pano para mangá…ops! Quero dizer, pano para manga! Ainda tem algumas personagens interessantes para aparecer e todas, no fim, se encontrarão numa outra história.
“Contos de Sher Mor” é um conjunto de seis histórias do qual fazem parte “Su na Tog” – que foi feito no formato mangá e outras cinco Ligth Novels. Até agora estão disponíveis no site “Ruvak” e “Oracular”, faltam mais três. Elas preparam o leitor para conhecer o universo no qual vai se passar a série “Sher Mor”.
Particularmente adoro o conceito de Ligth Novels, e já as conhecia desde o tempo em que era assinante da New Type japonesa. O formato é muito bom para quem gostar de ler, mas não tem tempo para obras longas, ou para quem está começando na arte de ler. Além do mais, você as ilustra com imagens, o que enriquece a obra e fica muito legal. Livros antigos possuíam esse conceito estético, hoje achamos isso em poucos livros juvenis e de maneira muito pobre. Seria bom se investissem mais nisso, mas por enquanto vamos de Ligth Novel!
Oracular pode ser lida em: Mangás On Line

Atualização (10/10/2015): Os Contos de Sher Mor podem ser lidos neste link:
http://www.studio.seasons.nom.br/novels.htm


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Criando as personagens de Lendas! Parte 3 XD

Geralmente, não uso bico de pena, pois acho que é uma ferramenta pouco prática, além de poder causar acidentes chatos. Prefiro caneta técnica, gosto do efeito dela. Também uso algumas canetas descartáveis de ponta bem fina e em alguns casos, fudepen – caneta pincel japonesa.


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Criando as personagens de Lendas! Parte 2

Este é o gatinho Nabi da Chun Hei de Lendas. Confesso que não gosto de desenhar animais, com exceção de cavalos, mas adorei fazer esse gatinho gorducho! O Nabi foi feito em vetor no Photoshop, pois o original vai para uma ilustração feita toda com essa ferramenta.
Nabi é borboleta em coreano. Realmente, é um nome muito comum para gatos, lá na Coréia! Eu escolhi o nome porque é significativo na história, além de ser o nome do gato de uma conhecida minha que é coreana. Foi curioso encontrar depois esse lance sobre os nomes dos gatos, mencionado no manhwa Tarot Café.


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Criando as personagens de Lendas!

Enquanto estou reescrevendo o roteiro, já estou rabiscando o design do pessoal. Preciso ter uma noção da altura deles e também já ir testando a arte final, assim, se tiver de fazer alguma mudança, faço antes de começar a desenhar pra valer. O traço será o mesmo usado para Voguel – que também estou escrevendo. Pretendo que Lendas seja ponte para outras séries, por isso escolhi um traço comum que será usado em muitas histórias, já que costumo desenhar as ilustrações de Contos de Sher Mor com outro estilo.
Aqui vocês têm um look de algumas das personagens em primeira mão.


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A produção de um roteiro.

Certo pessoal! Vamos falar de roteiros.
Não, não! Este não é um artigo que ensina como se escreve uma história ou quais são os conceitos básicos. Hoje vou falar sobre… o tamanho de uma história!
Bem, o que acontece quando alguém vai bolar uma história? A gente pensa nas personagens, na trama, na pesquisa, nos cenários, nos figurinos… mas, de verdade, pouca gente pensa no tamanho! Qual o tamanho ideal para se produzir uma série de mangá?
A resposta óbvia seria: isso depende da sua história, mesmo porque se você for um bom roteirista pode fazer do tamanho que quiser.
Teoricamente… sim. Mas, é na prática?
Na prática a extensão de uma obra está diretamente ligada com as suas possibilidades de vê-la publicada. Quando criamos uma série devemos levar em conta não apenas os custos de produção como também o modo como será editada, isso pode significar a diferença entre o seu trabalho ir para a banca ou não.
Grande, média ou pequena? Qual é a melhor opção? Que tal comentarmos cada uma por partes?
Séries grandes são o sonho de todo roteirista que tem uma trama mirabolante para contar, mas se o autor não souber levar a história, corre o risco de ver seu trabalho ir por água abaixo. Seu ponto forte é o espaço dado para trabalhar com os detalhes da trama além de possibilitar a inserção de muitas personagens;

Séries médias são sempre uma boa opção. Não cansam o público e fazem o que se propõem a fazer. Se bem escritas deixam o leitor satisfeito e seu tamanho possibilita várias opções para ser impresso, ou em parte, ou na íntegra. No entanto, deve-se tomar cuidado de não superlotar a série de personagens, pois se você não tiver habilidade de criar o espaço de cada um, vai ter gente sobrando na sua história;

Séries pequenas são rápidas, mais fáceis de publicar e geralmente podem pecar por serem vazias. Você não trabalha muito as personagens numa série curta e nem pode aprofundar uma trama o que é um prato cheio para os críticos de plantão: além de não criar nenhum vínculo mais forte com o público, você ainda corre o risco de ser taxado de superficial. Elas são válidas se forem uma ponte para uma série maior ou se forem complementos posteriores de uma. É o tipo de material que você pode se dar ao luxo de criar depois que fez alguns trabalhos e as pessoas já conhecem seu estilo.

Isso não significa que os roteiristas brasileiros não devem escrever histórias curtas ou longas, mas sim, devem estar atentos a esses detalhes e, principalmente, devem estar preparados para possíveis críticas. Se você for um roteirista mais prático pode resolver o problema de optar por um tamanho, atendo-se a questão da publicação: o verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso mercado.
Uma série curta geralmente é editada em um único volume, ao contrário das séries médias e grandes. Aqui no Brasil, uma opção que pode funcionar melhor do que a publicação de capítulos mensais para o material nacional, é a edição das séries maiores num único volume (tipo edição especial) ou em poucos volumes – nesse caso, poderíamos cogitar volumes de cem a duzentas páginas cada. Esse é um ponto vital a se considerar: o modo como o material chega às bancas é muito importante para sua aceitação e venda. O público gosta de séries volumosas e com custos razoáveis, isso os faz ter a sensação de ter gasto bem seu dinheiro.
Além disso, uma série não precisa ser publicada mensalmente. O recurso de publicar bimestralmente já é usado aqui e lá fora, algumas séries já têm intervalos maiores em suas publicações. Isso dá um fôlego para as editoras.

Atualmente, o material nacional mais aceito para publicação inicial deve ser algo com menos de duzentas páginas e, além disso, não estamos mais nos tempos do “tenho uma grande idéia ” – para ter alguma chance você já tem de chegar com o material prontinho e torcer para que gostem do seu traço, principalmente porque infelizmente o pessoal ainda é muito visual em certos lugares.
Admito que parte disso é culpa dos desenhistas e roteiristas mesmo. Vi muita gente que tinha projetos, mas a incapacidade de botá-los no papel dentro de um prazo estipulado fez com que as editoras se ressabiassem, sem falar dos “roteiristas das horas vagas” que achavam style escreverem enquanto desenhavam as suas séries e assim não tinham a mínima idéia do tamanho de seu projeto ou de como terminariam a história. Se no Japão isso gerou problemas com séries incompletas e penduradas indefinidamente, imagine o que aconteceria aqui no Brasil! Não estamos num mercado onde nós podemos nos dar ao luxo dessas excentricidades. O resultado disso foi pesado para os profissionais sérios: agora as editoras só aceitam olhar o material se já estiver pronto, ou pelo menos feito todo no lápis.
Só tem um detalhe: um material com menos de duzentas páginas fica entre algo curto e médio. Você tem de trabalhar com muito cuidado uma história com essa quantidade de páginas, porque a primeira vista parecem muitas, mas à medida que escreve uma história, perceberá que são poucas.
Acredito realmente que o formato de volume único ou poucos volumes para publicação seja uma boa para o futuro do mangá feito no Brasil, mas sempre tendo em mente que seja um material pronto a ser apresentado. Dessa forma, creio que ainda existam chances de parcerias entre mangakás nacionais e editoras.
Portanto, antes de você escrever alguma coisa, pense nisso e calcule bem o tamanho do seu sonho… assim, ele terá uma chance de virar realidade.


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Refazendo um Roteiro…

Resolvi produzir Senhores das Lendas, uma série que criei há muito tempo… tanto que nem me lembro o ano direito! Sou ruim com datas, confesso! =P
Lendas surgiu por causa da antiqüíssima revista Booken, onde fiz uma história de dez páginas para a revista. Na época era o espaço oferecido, mas a idéia era criar uma série em cima disso. O caso é que a revista não vingou, mas o roteiro foi feito. O tempo passou, meu traço mudou… graças a Deus ^__^ , e agora resolvi montar esse projeto. O grande passo era… reler o trabalho!
Sabe, quando a gente cria uma história, muito dela tem a ver com o que você vive, com o que você quer passar para as pessoas naquele momento. Alguns roteiros eu releio e penso “puxa, isso ficou bom!”, já em outros me assusto com um “credo, tenho de mudar tudo isso!” ^___^
O fato é que roteiristas, como escritores, têm sempre a mania de “melhorar” o que fazem. São poucos os trabalhos em que eu não mexeria em alguma coisa. Como foi dito uma vez, “um escritor nunca termina um livro, ele apenas o abandona.”, assim, me propus a refazer o roteiro de Lendas. Na época, a história tinha uma função e hoje o objetivo é mais profundo, então meu desafio é manter o esqueleto e mudar completamente a mensagem principal. Até que não é difícil quando você sabe exatamente o que tem em mente, mas o interessante é que não estou fazendo isso só por um amadurecimento pessoal, mas por um amadurecimento do público leitor. Para minha satisfação, o leitor brasileiro de mangá se tornou mais exigente e busca algo com mais conteúdo e isso é muito interessante.
Lendas não é uma história muito complexa, mas estou fazendo o possível para não torná-la longa demais e nem curta a ponto de ser taxada de superficial. É uma questão que exige cuidado. Histórias curtas parecem incompletas e longas demais podem ser cansativas, se não forem feitas do modo correto – o que me fez escrever o artigo “A produção de um roteiro” postado neste blog e que será de interesse para quem desejar escrever algo.
Sei que mesmo séries de médio porte também podem ter problemas similares com a profundidade das personagens quando existem muitas delas, mas no caso de Lendas, o número de personagens é extremamente necessário. Sempre optei por escrever histórias onde o principal é a mensagem e compacto isso em suas falas e narrativas. Gosto de fazer minhas personagens reais na medida em que são emocionalmente vulneráveis, mas que tiram força de suas crenças pessoais para realizar as tarefas que lhe são impostas. Gosto da idéia de fazer os leitores pensarem no que as personagens falam, mesmo quando não concordam com elas.
Como a maioria de minhas histórias, Lendas não terá muitas lutas, mas sim, bastante ação. Acho que isso também se tornou uma marca nos meus trabalhos.
Ainda tenho diversos detalhes para acertar e muitas cenas novas para escrever… é o que acontece quando a gente cisma em refazer uma história inteirinha. =P


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Bem-vindos ao Blog do Studio Seasons!

Oi pessoal! Sejam bem-vindos a este blog que foi feito especialmente para vocês terem um acesso maior ao universo do nosso estúdio. Aqui vocês poderão ver o que estamos fazendo em nossos comentários sobre Produção, além de ficarem por dentro de alguns empecilhos no Diário de Bordo. Também vamos passar umas receitinhas de vez em quando pro pessoal que curte fazer essas coisas… ou só comer essas coisas! – Alguém faz pra eles! ^__ ~
Aproveitamos para apresentar nosso mascotinho! O Monk estará sempre com a gente nesse blog. Acessem, leiam, comentem e divirtam-se!

Abração da equipe do Studio Seasons!


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