Quando a ideia não vem…

“E agora? Hummm… deu branco. Hã… sei lá o que acontece depois… o que eu escrevo agora?”
Essas e algumas outras coisas (algumas bem inadequadas! #*&%#!!!) passam pela cabeça de todo escritor/roteirista durante um processo de criação.
É muito comum as idéias fugirem, faltarem ou até serem descartadas durante um processo criativo. Lidar com essas situações é um pouco frustrante, mas necessário e, em muitos casos, ótimo! Como assim, ótimo!?
Simples. O processo criativo das pessoas está diretamente ligado com sua capacidade de se adaptar a situações. Num artigo da Folha de São Paulo de Julliane Silveira intitulado “Tire isso da cabeça” começa com uma premissa muito real: segundo pesquisadores, o apego a métodos, falta de flexibilidade e rapidez podem barrar processos criativos.
Sim. Isso é um fato. A criatividade está ligada a processos que incluem envolvimento, relaxamento e observação cuidadosa, mas também está ligada a multiplicidade de informações e insights de idéias.
Criatividade não é algo ligado a moldes, não é idéia fixa nem fórmula composta (que digam os japoneses; os mangakas não queimam seu coco pelo tema em si que pode, muitas vezes, ser sempre o mesmo, mas pelo processo de criar um universo diferenciado do anterior). Esse é um dos pontos no qual os jovens roteiristas pecam pela lacuna. Criar não tem relação com fórmulas. A fórmula é aplicada para direcionar a história e exibir o tema, mas as personagens, seu mundo, suas tramas pessoais seguem a pura capacidade criativa de cada um, portanto, não adiantar imitar séries famosas sem ter um bom conteúdo original para vestir a fórmula comercial.
Ter bloqueios não é o fim do mundo, apenas aponta que existe uma lacuna que deve ser preenchida. No processo criativo imaginar é tudo; vem mesmo antes do ato de escrever. Quando uma pessoa senta no computador, já deve ter uma noção do que digitará. Não é a cadeira que o fará ter idéias, mas sua mente.
Algumas coisas são muito importantes como:
1. Ter várias idéias sobre a mesma coisa é bom! Dá possibilidades de escolha. Não tenha medo de descartar uma idéia antiga. Se sua história está travada é porque algo não está funcionando bem. Identifique o ponto fraco e altere sem dó;
2. Se você não tem nenhuma idéia naquele momento, não se estresse. Relaxe e vá fazer outra coisa. Muitas vezes o distanciamento ajuda a ver melhor seu problema depois que você retomar a questão. Acontece o mesmo quando fazemos um desenho e não vemos o defeito na hora; se você guardá-lo e, depois de algumas horas, observá-lo, verá onde está o erro;
3. Procure pessoas para discutir suas idéias. Muitas vezes ajuda bastante buscar soluções através de diálogos com terceiros. Mas cuidado, não confunda isso com expor seu trabalho para ver o que acham. Esse processo não tem nada a ver com avaliação;
4. Procure sempre ler assuntos variados em livros, revistas ou jornais, ouvir músicas de diversos estilos, ver filmes, visitar exposições, assistir reportagens especiais, documentários, enfim, coisas que exponham seus sentidos a experiências variadas. Tudo isso estimula a mente e o surgimento de boas idéias;
5. Confie em seu instinto. Não deixe uma idéia fugir por medo dela não ser muito original ou simples. Anote-a e, quem sabe, ela não pode ser alterada ou se tornar a base de uma idéia mais complexa.

O autor deve compreender, no fim das contas, que escrever histórias é um processo criativo e as idéias não podem ficar presas a horários fixos. Sim, a organização é importante e faz diferença você ter horários para se dedicar à escrita, mas nem sempre as idéias boas virão naquele exato momento, por isso paciência é um fator importante. Idéias boas podem surgir a qualquer hora e em qualquer lugar! Seja na cozinha ou debaixo do chuveiro! Tenha sempre um bloquinho de papel e uma caneta para anotar coisas interessantes.
Lembrem-se dessas informações ao escrever uma história e, principalmente, quando o branco vier: não é o fim do mundo; só é um aviso de que uma idéia deve ser mais amadurecida.

Boa sorte! ^_____^


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