Manual do escritor ^_____^

Com o novo impulso do mercado nacional para títulos feitos por aqui (algumas editoras começam a repensar nessa possibilidade) achei interessante postar um material para auxiliar os jovens candidatos a roteiristas.
Li um artigo que saiu na folha de São Paulo em 16 de Agosto de 2009 falando sobre oficinas literárias e, me chamou a atenção o tópico “O que fazer com um texto” onde três professores de oficinas literárias (Luiz Antonio de Assis Brasil, Marcelino Freire e Luís Augusto Fischer) destacam regras básicas de leitura e escrita. É um material muito bom, pois as dicas servem para escritores que desejam iniciar seus trabalhos. Com base em algumas dicas destes três profissionais, fiz uma pequena lista de ações para auxiliar roteiristas experimentais.
Uma coisa que o roteirista tem de entender é que um bom escritor, antes de tudo tem de ser um bom leitor. Se você não sabe lidar com um texto, como leitor, terá dificuldades de criar qualquer coisa nesse sentido.

Aqui vão algumas dicas sobre como ler uma obra.
1. Livros badalados não são necessariamente livros excepcionais. Um livro é bom quando se passam alguns anos e ele ainda “respira bem”
2. Clássicos são bem construídos – se não consegue lê-los, a culpa não é deles. Cada obra pertence a sua época. Veja onde se encontra a dificuldade; muitas vezes um dicionário ajuda com palavras desconhecidas e sim, ele é feito para ser usado! Pode ser que a leitura exija alguns conhecimentos extras (um texto mais científico, por exemplo), então, se deseja ler o texto mesmo, busque material de apoio.
3. Alguns textos devem ser lidos mais de uma vez para serem compreendidos. Em alguns casos é bom o leitor deixar passar um tempo e pegar a obra depois para ser lida numa nova tentativa.
4. Um texto literário é uma obra artística em potencial e tem o direito de ser como é. Isso significa que a leitura deve ser respeitosa e o leitor deve estar disposto a receber as informações como o autor as concebeu. Se um texto mexe com o leitor, é um bom sinal; um livro é feito para ser sentido, não entendido.
5. Impressões sobre textos são coisas muito particulares. Cada pessoa terá uma opinião diferente; é como filme – só vendo para tirar suas próprias conclusões.
6. Só porque você não gosta de um texto, não significa que ele é ruim; só significa que não é do seu gosto. Lembre-se disso na hora de avaliar esse material. Para um texto ser considerado falho, ele deve possuir erros técnicos.

Algumas dicas para escrever:
1. Ler muito ajuda a escrever bem; faz com que você desenvolva um sentido para a linguagem narrativa, observando o trabalho de outros autores.
2. Se a frase está estranha, reconstrua de outra maneira. É preferível uma linguagem mais simples e direta do que muito rebuscada e errada.
3. Ler em voz alta o que escreve e estar atento ao tempo das falas. É muito comum certas frases tornarem-se monólogos, sem querer. Ouvir a própria voz nos dá uma boa noção de como o texto flui.
4. Desconfie do texto que sua mãe gostou, isso inclui amigos entusiastas!
5. Lembre-se que não está escrevendo para você, mas para os outros. Tem de se fazer compreender pelo leitor. Sim, você tem até o direito de radicalizar, mas o leitor tem o mesmo direito de abandonar seu trabalho.
6. Tratar o leitor com respeito é bom, assim como saber para quem se escreve. Você nunca agradará a gregos e troianos. Terá um público que se identificará com seu trabalho.
7. Deve contar com o que o leitor sabe, ou não. Se escrever algo complexo ou que exige conhecimento extra do leitor, o mínimo que deve fazer é não deixá-lo boiando no assunto. Algumas notas ajudam bastante.
8. Escreva sobre o que você conhece bem, mesmo que seja sobre um planeta alienígena. O autor tem o compromisso de ser real com o leitor, ainda que sua história seja uma ficção. Se você escreve uma ficção, pretende que o leitor acredite nela; deve dar todas as informações e assumir o compromisso de contar tudo que interessa para que a história aconteça.
9. Escreva num lugar tranqüilo. Ouvir música é bom, mas cuidado para não perder o ritmo do que está fazendo e entrar só no ritmo da música. Para ler seu texto, silêncio sempre! Só sua voz deve ser ouvida.
10. Quando construir falas para um roteiro de quadrinhos, pense em nível de espaço físico; lembre-se que sua fala tem de caber dentro de balões, por isso procure dividir as falas e sintetizar o conteúdo de forma adequada.

Estas são apenas algumas dicas para leitura e produção. É importante que o jovem roteirista também tenha em mente que seu trabalho deve ser apresentado, de preferência, na íntegra para um editor. Idéias são boas, mas no papel ficam bem melhores. Editores só costumam comprar idéias quando confiam no taco do profissional ou ele já tem um currículo de trabalhos, mas se você é, ainda, um ilustre desconhecido, procure ser prático e apresente seu trabalho de forma simples e consistente.
Procure encontrar um desenhista bom para trabalhar com você; se puder apresentar o character designer e algumas páginas prontas, isso te dará uma vantagem enorme. Tome cuidado com a escolha de desenhistas, deve ser uma escolha consciente: se escolher um desenhista que faz um trabalho amador, mesmo que seu roteiro seja ótimo, fará com que todo o seu trabalho seja amador. A avaliação visual da obra é um ponto muito forte. Pense sempre: desenhar bem é desenhar a nível internacional, afinal será com o material estrangeiro que sofrerá comparações.
Para mais informações e tirar dúvidas, estaremos aqui para auxiliar. ^_____^


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