Grimms Mangá – Kei Ishiyama

Um excelente trabalho para ser observado pelo aspecto do “espaço disponível” dado numa obra encomendada.
O traço de Kei Ishiyama é impecável, bem definido, longo, elegante e bem detalhado – uma desenhista que sabe trabalhar bem todos os tipos de personagens indo desde crianças pequenas até idosos e animais, coisa que nem todos os mangakás (inclusive alguns muito badalados) sabem fazer com competência técnica.
Mas além do traço bem definido e da bem equilibrada aplicação de retícula, o aspecto mais marcante desse trabalho é o espaço utilizado. Ao observarmos, logo de início, vemos páginas cheias e, aparentemente, poluídas, mas quando observamos com cuidado, descobrimos uma competência para narrar detalhes utilizando um limite definido de páginas num jogo de diagramação fora do comum, que nos dá uma noção precisa da habilidade de enquadramento da autora. As páginas, tirando poucas exceções, têm oito quadros ou mais e isso nos mostra as limitações de espaço que a desenhista enfrentou para nos narrar, com precisão, os clássicos revisitados dos Grimms – outra tarefa nada fácil de fazer: pegar um clássico e lhe dar um aspecto novo sem que fique ruim.
Para os aprendizes do gênero, é uma excelente referência, tanto no aspecto traço e acabamento, como no aspecto diagramação com limitação física e todas as possibilidades exploradas em função disso. Uma verdadeira aula de diagramação!


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2 respostas a Grimms Mangá – Kei Ishiyama

  1. Lancaster disse:

    Eu achei bem interessante essa abordagem. O traço dela é muito detalhado e limpo e realmente é difícil essa concentração – em mangás, tendemos a pensar as histórias em tramas longas justamente pelo fator da densidade narrativa. Fazer um volume único é um desafio.

  2. Montserrat disse:

    Olá Lancaster!

    Sim, isso é verdade. Geralmente quando se pensa em mangá, logo somos remetidos à idéia de muito espaço disponível e longas sagas – e acabamos esquecendo que a diagramação utilizada no gênero pode ser aplicada para qualquer limite de páginas. Grimms é um exemplo excelente disso e uma ótima referência para quem deseja aprender diagramação – principalmente para autores nacionais que lidam constantemente com essa questão do pouco espaço disponível para trabalhar.

    Abraço!

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