Colégio Ouran Host Club – Bisco Hatori

Inicio aqui a categoria análise pelo título Ouran, pois tenho observado que a net está carecendo um pouco desse tipo de material. Geralmente, as opiniões emitidas sobre os títulos vigentes nas bancas são de leitores que, ou são muito fãs da obra, ou, muitas vezes, não tem o olho treinado para observar os pormenores técnicos de um trabalho. Desse modo, retomo aqui uma tradição do Studio: analisar os títulos com o intuito de oferecer algumas opiniões extras para os interessados em aprender técnicas de mangá. Em tempo, selecionaremos outros títulos que possam ser considerados relevantes.
Colégio Ouran Host Club é um shoujo criado por Bisco Hatori e publicado no Brasil pela Panini. O trabalho de edição de Elza Keiko, assim como a tradução e adaptação de Karen Kazumi estão de parabéns. A capa recebeu um trabalho cuidadoso embora haja pequenos imprevistos na encadernação causados pelo tamanho das páginas, mas nada que não possa ser corrigido com o tempo. Tirando pequenas divergências de tradução e uma ocasional falha de escrita, o resto está impecável.
O problema de Ouran não está realmente na adaptação para o leitor nacional: está no próprio mangá. O roteiro começa com uma temática lugar comum: mais uma escola mirabolante, porém o pior é que a maioria das personagens é fútil e sem sentido. Em outras palavras, é um mangá difícil de ler, pois chega a ser cansativo de tão vazio de história. A autora começou com uma boa idéia (a dívida que fez a protagonista ingressar no clube ) que degringolou para um bobeirol meloso e cheio de recalques do que as japonesas, atualmente, acham “fofo”. Assuntos como sexualidade são abordados de forma fantasiosa e banalizada, e a própria personagem Haruhi é totalmente surreal com sua androgenia casual. O fato de ser confundida com um rapaz e não ligar é algo, no mínimo, exótico, soando como uma saída boba para um problema de roteiro mal resolvido.
O traço também não ajuda muito, a mangaká tem uma anatomia muito desproporcional – os mangás costumam ter estilização anatômica, é comum e quase regra, mas no caso dela, beira a deformação, com rostos chegando a ter a curva do maxilar cortada, dando a impressão que falta um pedaço. De sua arte a única coisa que se salva são os cenários e a aplicação de retículas, mas como ela tem quatro assistentes e mais três de reserva, “alguém” ali fez um bom trabalho. A diagramação é um pouco conturbada e existe uma poluição visual que chega a ser incômoda com tiradas demais fora da área das falas.
Sei que algumas pessoas talvez não gostem dessa análise, pois devem achar Ouran lindo! O fato é que estou fazendo um raio X técnico do trabalho e não dando uma opinião de fã. Levando em consideração que oito pessoas ao todo trabalharam em Ouran, a obra deveria ser algo um pouco melhor, provando que nem tudo que vem do Japão é tão maravilhoso assim, afinal.


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