A produção de um roteiro.

Certo pessoal! Vamos falar de roteiros.
Não, não! Este não é um artigo que ensina como se escreve uma história ou quais são os conceitos básicos. Hoje vou falar sobre… o tamanho de uma história!
Bem, o que acontece quando alguém vai bolar uma história? A gente pensa nas personagens, na trama, na pesquisa, nos cenários, nos figurinos… mas, de verdade, pouca gente pensa no tamanho! Qual o tamanho ideal para se produzir uma série de mangá?
A resposta óbvia seria: isso depende da sua história, mesmo porque se você for um bom roteirista pode fazer do tamanho que quiser.
Teoricamente… sim. Mas, é na prática?
Na prática a extensão de uma obra está diretamente ligada com as suas possibilidades de vê-la publicada. Quando criamos uma série devemos levar em conta não apenas os custos de produção como também o modo como será editada, isso pode significar a diferença entre o seu trabalho ir para a banca ou não.
Grande, média ou pequena? Qual é a melhor opção? Que tal comentarmos cada uma por partes?
Séries grandes são o sonho de todo roteirista que tem uma trama mirabolante para contar, mas se o autor não souber levar a história, corre o risco de ver seu trabalho ir por água abaixo. Seu ponto forte é o espaço dado para trabalhar com os detalhes da trama além de possibilitar a inserção de muitas personagens;

Séries médias são sempre uma boa opção. Não cansam o público e fazem o que se propõem a fazer. Se bem escritas deixam o leitor satisfeito e seu tamanho possibilita várias opções para ser impresso, ou em parte, ou na íntegra. No entanto, deve-se tomar cuidado de não superlotar a série de personagens, pois se você não tiver habilidade de criar o espaço de cada um, vai ter gente sobrando na sua história;

Séries pequenas são rápidas, mais fáceis de publicar e geralmente podem pecar por serem vazias. Você não trabalha muito as personagens numa série curta e nem pode aprofundar uma trama o que é um prato cheio para os críticos de plantão: além de não criar nenhum vínculo mais forte com o público, você ainda corre o risco de ser taxado de superficial. Elas são válidas se forem uma ponte para uma série maior ou se forem complementos posteriores de uma. É o tipo de material que você pode se dar ao luxo de criar depois que fez alguns trabalhos e as pessoas já conhecem seu estilo.

Isso não significa que os roteiristas brasileiros não devem escrever histórias curtas ou longas, mas sim, devem estar atentos a esses detalhes e, principalmente, devem estar preparados para possíveis críticas. Se você for um roteirista mais prático pode resolver o problema de optar por um tamanho, atendo-se a questão da publicação: o verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso mercado.
Uma série curta geralmente é editada em um único volume, ao contrário das séries médias e grandes. Aqui no Brasil, uma opção que pode funcionar melhor do que a publicação de capítulos mensais para o material nacional, é a edição das séries maiores num único volume (tipo edição especial) ou em poucos volumes – nesse caso, poderíamos cogitar volumes de cem a duzentas páginas cada. Esse é um ponto vital a se considerar: o modo como o material chega às bancas é muito importante para sua aceitação e venda. O público gosta de séries volumosas e com custos razoáveis, isso os faz ter a sensação de ter gasto bem seu dinheiro.
Além disso, uma série não precisa ser publicada mensalmente. O recurso de publicar bimestralmente já é usado aqui e lá fora, algumas séries já têm intervalos maiores em suas publicações. Isso dá um fôlego para as editoras.

Atualmente, o material nacional mais aceito para publicação inicial deve ser algo com menos de duzentas páginas e, além disso, não estamos mais nos tempos do “tenho uma grande idéia ” – para ter alguma chance você já tem de chegar com o material prontinho e torcer para que gostem do seu traço, principalmente porque infelizmente o pessoal ainda é muito visual em certos lugares.
Admito que parte disso é culpa dos desenhistas e roteiristas mesmo. Vi muita gente que tinha projetos, mas a incapacidade de botá-los no papel dentro de um prazo estipulado fez com que as editoras se ressabiassem, sem falar dos “roteiristas das horas vagas” que achavam style escreverem enquanto desenhavam as suas séries e assim não tinham a mínima idéia do tamanho de seu projeto ou de como terminariam a história. Se no Japão isso gerou problemas com séries incompletas e penduradas indefinidamente, imagine o que aconteceria aqui no Brasil! Não estamos num mercado onde nós podemos nos dar ao luxo dessas excentricidades. O resultado disso foi pesado para os profissionais sérios: agora as editoras só aceitam olhar o material se já estiver pronto, ou pelo menos feito todo no lápis.
Só tem um detalhe: um material com menos de duzentas páginas fica entre algo curto e médio. Você tem de trabalhar com muito cuidado uma história com essa quantidade de páginas, porque a primeira vista parecem muitas, mas à medida que escreve uma história, perceberá que são poucas.
Acredito realmente que o formato de volume único ou poucos volumes para publicação seja uma boa para o futuro do mangá feito no Brasil, mas sempre tendo em mente que seja um material pronto a ser apresentado. Dessa forma, creio que ainda existam chances de parcerias entre mangakás nacionais e editoras.
Portanto, antes de você escrever alguma coisa, pense nisso e calcule bem o tamanho do seu sonho… assim, ele terá uma chance de virar realidade.


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9 respostas a A produção de um roteiro.

  1. Oi, eu sou aluno a silvia, ou melhor dizendo, ex aluno, mas eu tenho alguns roteros em mente, na verdade uns 15, mas atualmente tenho me dedicado apenas a um deles. Eu li atentamente o que você escreveu e gostaria da sua opinião sobre o meu roteiro. Ainda não terminei de escreve-lo, mas já tenho o final em mente. A silvia leu uma parte dele a algum tempo e gostou, mas eu gostaria de saber da sua opinião também, se ele é bem estruturado dentre outras criticas necessárias para um roterista amador. O nome é Tecno-Falls e se passa aqui no Brasil num futuro pós pós-apocalíptico, onde não existe mais tecnologia nenhuma. Atualmente estou publicando ela na internet no link http://recantodasletras.uol.com.br/ procure na parte de contos de ficção científica ou pelo meu psedônimo que é Dr.Eutanásio. ^.^

  2. Marcela disse:

    Meu sonho é ser escritora e mangaká, tenho umas (muitas!) histórias em mente , mas pra passar pro papel… é um sofrimento! Acho que não fica bom e recomeço de novo, nem termino, e nesse tempo vou mudando toda a história, os personagens, o enredo… @.@ Mas tem histórias que nem me dá coragem de botar no papel, tudo que eu faço parece muito idiota! E o que eu começo nem consigo terminar. Talvez me falte insentivo… Bem… Foi muito bom ter lido esse post, me animou um pouco.
    Bjs ;**

  3. Olá Marcela,

    Eu li seu comentário e posso te dar dois toques que muito provavelmente te ajudarão:
    Primeiro – é normal um roteirista reescrever sua história muitas e muitas vezes, já fiz isso também. O problema é que você está reescrevendo antes de terminar, então nunca acaba o roteiro. Tente rascunhar sua história do começo ao fim: pegue um papel e marque os acontecimentos por tópicos reduzidos de, no máximo, cinco linhas; com isso em mãos você terá uma base mais segura e poderá escrever seguindo um cronograma, não importa se não estiver muito bom. Se você não terminar algo, nunca vai saber como ficou o conjunto geral prá poder avaliar com mais equilíbrio. Nem todos os roteiros que escrevemos são bons, no começo. Eu já escrevi muitas coisas que, simplesmente, tive de apagar e recomeçar, mas se não tiver a história como um todo na sua mente, fica mais difícil.
    Segundo – não tente começar por uma saga cabeluda! Comece com uma história simples com poucos personagens. Melhor que uma trama enorme com gente sobrando, é uma história pequena com personagens bem construídas e um argumento sólido. O tema pode ser simples e a história curta, isso vai te ajudar a criar algo que termine, depois você olha e arruma o que considera como “pontos fracos”. Imagine isso como um laboratório, um treino, não como uma obra a ser publicada.
    Também ajuda muito ler obras e observar estilos de escritores, além de estudar sobre o tema que vai escrever (pesquisa!). Igualmente importante é ter alguém para ler o que você escreveu, uma opinião externa é sempre algo muito bom, mas cuidado! Mande o roteiro para alguém com conhecimento e não para uma pessoa leiga ou pior, para alguém que acha tudo o que você faz muito legal. Você não terá opiniões equilibradas e isso poderá estragar sua auto-estima e fazê-la desistir antes mesmo de evoluir dentro do trabalho.

    Boa sorte e se esforce mais, você consegue. ^_____^
    Montserrat

  4. Off Axis disse:

    E aê, Galera dos Estúdio Seasons !!! Aqui é o Axis…Bem, eu adoro fazer histórias, colocando a realidade encaixada nas minhas histórias (q, por ventura, eu fico pesquisando na net)…Bem, a única coisa q eu tenho (e dos grandes) é: colocando nomes de “GENTE DA PESADA”, saca? Um dos meus títulos, q do gênero é policial, ação, ficção e violência, eu peguei 2 personagens q são irmãs, e q numa sit~uação q elas estavam resolvendo, um dos espiões, estav de olho nelas, e foram contratadas, para solucionar os dos + conhecidos facções q existem até agora: P.C.C. e C.V. ….Eu faço curso na escola de artes em Santo André-SP, e, quando eu contei pro meu profº, sobre esse assunto, ele ficou um pouco preocupado do q eu tô fazendo…O q vcs acham e como eu faço, pra q ñ gera confusão…Tipo, como o Michael Moore, fez sobre o Bush…Por eu ñ posso fazer sobre “eles” ? falô e um abraço !!!

  5. Montserrat disse:

    Caro Axis,
    Sinto dizer que seu professor não está errado. Toda vez que abordamos um tema, devemos estar atentos as possíveis conseqüências de nossa abordagem, isso é o que chamamos de “responsabilidade sobre a obra”. Existe uma grande diferença entre se fazer uma crítica a um presidente, indivíduo eleito através de processos democráticos e que, segundo este mesmo preceito, lhe dá o direito sobre liberdade de opinião, e falar sobre comandos criminosos que não seguem esses padrões, por isso podem fazer o que bem entender com qualquer pessoa, inclusive com quem as critica.
    Mas o que me chamou a atenção foi o que falou sobre “inserir realidade”. Vou lhe fazer uma pergunta para que você reflita: o que entende por realidade? Colocar um nome de um comando? Falar de algo que está em voga? Realidade é bem mais que isso, Axis. Vou lhe dar um exemplo: uma pessoa pode rechear uma história com um monte de nomes de grupos e lugares ou vultos históricos e, simplesmente, escrever um conteúdo totalmente vazio! Sem nenhum pingo de “realidade histórica e/ou humana”. Nomes e lugares ajudam a dar credibilidade a uma ficção, mas isso não significa que seu conteúdo seja palpável. Realidade não é isso; realidade consiste em abordar temáticas humanas como vida, morte, dor, felicidade, sofrimento, ambição, crime, amor e por aí afora. Temáticas que façam o leitor ter um elo com a obra! Se você criar um grupo com um nome fictício e falar de um tema como criminalidade, fazendo a pesquisa correta e usando uma abordagem inteligente e sensível, terá um conteúdo totalmente real.
    Seu grande desafio não está em colocar uma sigla como PCC ou CV. Seu verdadeiro desafio é: pegar um tema que é constantemente exposto em rádio, televisão e cinema e abordá-lo de modo que faça as pessoas se interessarem em lê-lo, pois esse mesmo conteúdo elas tem de graça todos os dias! O que você lhes daria de relevante que as faria se interessar pelo que você criou? Qual é a diferença que você faria com a sua história? Vale a pena escrevê-la?
    Se a resposta for “sim”, então você vai ter um desafio bem maior que o de Michael Moore, porque vai descobrir que abordar um tema com profundidade é muito mais complexo do que criticar um presidente, principalmente se levar em conta que num país como os EUA, de orientação conservadora e puritana, falar de um dirigente é um grande feito, quando aqui no Brasil fazemos isso todos os dias. Então você vai ter que dar bem mais que isso ao público nacional.

    Boa sorte em seu projeto!

    Montserrat

  6. Off Axis disse:

    Oi de novo !!! Tudo bem c/ vcs ? Poxa, valeu msmo, mas. posso mostrar como é a minha visão ? Os meus títulos (17), eu começo como anualmente, mas tem alguns que + pra frente, ficam parados: + ou – uns 3 ou 4 anos.Tipo assim: começa com um escritor q faz uma história sobre um jovem que é naturalizado Alemão, q enfrenta o seu rival q é um Holandês.Tem a sequência, mas eu tô tentando misturar alguns “jeitos”, como: o Final Fantasy, Matrix e Samurai X. Mas, no meu modo, eu fiz mais plots, tipo…Eu criei algumas histórias que eu possa me arriscar, como esse exemplo sobre a violência e as facções.Mas, eu queria colocar a realidade, como os meus personagens vivessem em estado de humilhação, sequestro, morte, sangue, e mais: eu ficava pesquisando nomes das antigas, como: Bonnie & Clyde, Dick Moe, Jekyl & Mr. Hyde, etc. Encaixando nos meus personagens que sem dúvida (ou ñ), possa a ver q o leitor entenda. Sobre o automobilismo, eu inventei alguns chassis, pilotos e times, mas os motores são os mesmos. Mas, sem dúvida, eu vou consegui ser o mais do que o Michael Moore. O q vc acha da minha idéia ? Tem muita coisa q eu tenho a dizer pra vcs…!!! Então, até + e abraço pra todos !!!

  7. Montserrat disse:

    Olá Axis,

    Vejo que você tem muitas idéias, então, eu sugiro que você trabalhe uma por vez, pois como você mesmo disse, começa muitas e depois para. Ter boas idéias iniciais não é difícil; o difícil é desenvolvê-las. Sugiro que escolha uma e tente montá-la até o fim. Lembre-se que um trabalho extenso demais pode fazê-lo ter poucas chances de publicação, desse modo, pegue a série que você considera a menor para ser finalizada, até mesmo como um laboratório para se experimentar como roteirista, isso funciona mesmo. Outra coisa importante: usar materiais de outros desenhistas ou autores como referências é legal, mas fazer as personagens chegarem a seguir a mesma linha pode ficar com cara de cópia e o público não gosta disso, já lhe aviso. O público gosta de heróis originais, autênticos, mas que tenham uma personalidade única e não que se “pareçam” com alguém de outra história. Isso pega mal. Tenho certeza de que se pesquisa casos antigos e coisas assim, vai poder construir um personagem seu, com características próprias sem precisar citar nomes conhecidos ( a não ser no caso de ser contemporâneo a uma personagem real). Só um toque: usar marcas famosas em suas histórias só é legal se você tem autorização da empresa, caso contrário isso dá processo.
    Se desejar enviar um roteiro para análise, por favor envie-o para o e-mail do nosso estúdio e não para o blog, caso contrário não haverá retorno do pedido.

    Atenciosamente,
    Montserrat ^____^

  8. Ludmila Ramalho disse:

    Primeiramente gostaria de agradecer por terem feito essa postagem! Eu adoro, amo, escrever histórias, embora ainda não tenha terminado nenhuma por ter ideias demais e não conseguir separá-las, e lendo isso, além da “Manual do escritor”, me ajudou consideravelmente para me organizar melhor com minhas histórias. Não totalmente, por que, além de eu ser preguiçosa, muitas vezes tento me organizar e falho tristemente.
    Porém, um de meus defeitos é que consigo pensar em alguma história, mas não tenho nenhuma temática para abordar. Nenhuma mensagem pra passar ao leitor, e isso me frustra muito, pois meu sonho é ser escritora, não por dinheiro, mas sim por paixão, e um escritor escreve para passar algo aos seus leitores. Meu irmão, já formado em cinema e tendo uma boa cultura e conhecimento, diz que, se não for para passar nada, então eu nem deveria escrever. Mas isso é simplesmente impossível para mim, por que escrever é uma paixão. Eu me sentiria incompleta se não pudesse fazê-lo. Tento, as vezes, pedir ajuda dele, mas nossos ramos são diferentes. Ele não tem o menor interesse em mangás, e isso complica o entendimento dele sobre o tipo conteúdos que leio e afins. Como vocês da Seasons estão na área, acredito que seriam as melhores para me dar algum conselho.
    Não tenho nenhum roteiro pronto, por motivos que já disse, e também por que, não negarei, sou ainda leiga no assunto. Escrevo por enquanto apenas fanfics como forma de diversão, mas meu desejo é ser capaz de escrever boas histórias e vê-las publicadas, seja como livros ou como quadrinhos (mangá).
    Mas, como disse, não consigo terminar nenhuma história e o meu ponto fraco é justamente a temática, a mensagem a ser passada. Gostaria de saber se vocês não teriam alguma dica que me ajudasse nisso, por favor!

    • Olá Ludmila,
      Ficamos felizes que tenha gostado dos artigos.
      Na verdade, cinema e quadrinhos têm coisas em comum, mas como seu irmão não conhece muito a segunda área, realmente fica um pouco complicado ele auxiliar.
      Sobre a questão do tema, não existem “dicas” definitivas nesse sentido. O tema diz respeito a algo que você quer passar para o leitor e abrange um conceito muito particular; é a visão do autor sobre um assunto. Mas mesmo que você não tenha um tema inicial, nada te impede de escrever pelo simples prazer de fazê-lo. É a prática que te leva ao aprimoramento e pode ser que, com o tempo, os temas surjam. Contudo, é importante você desenvolver disciplina para escrever uma história completa. Sem isso fica difícil se aprimorar.

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