Refazendo um Roteiro…

Resolvi produzir Senhores das Lendas, uma série que criei há muito tempo… tanto que nem me lembro o ano direito! Sou ruim com datas, confesso! =P
Lendas surgiu por causa da antiqüíssima revista Booken, onde fiz uma história de dez páginas para a revista. Na época era o espaço oferecido, mas a idéia era criar uma série em cima disso. O caso é que a revista não vingou, mas o roteiro foi feito. O tempo passou, meu traço mudou… graças a Deus ^__^ , e agora resolvi montar esse projeto. O grande passo era… reler o trabalho!
Sabe, quando a gente cria uma história, muito dela tem a ver com o que você vive, com o que você quer passar para as pessoas naquele momento. Alguns roteiros eu releio e penso “puxa, isso ficou bom!”, já em outros me assusto com um “credo, tenho de mudar tudo isso!” ^___^
O fato é que roteiristas, como escritores, têm sempre a mania de “melhorar” o que fazem. São poucos os trabalhos em que eu não mexeria em alguma coisa. Como foi dito uma vez, “um escritor nunca termina um livro, ele apenas o abandona.”, assim, me propus a refazer o roteiro de Lendas. Na época, a história tinha uma função e hoje o objetivo é mais profundo, então meu desafio é manter o esqueleto e mudar completamente a mensagem principal. Até que não é difícil quando você sabe exatamente o que tem em mente, mas o interessante é que não estou fazendo isso só por um amadurecimento pessoal, mas por um amadurecimento do público leitor. Para minha satisfação, o leitor brasileiro de mangá se tornou mais exigente e busca algo com mais conteúdo e isso é muito interessante.
Lendas não é uma história muito complexa, mas estou fazendo o possível para não torná-la longa demais e nem curta a ponto de ser taxada de superficial. É uma questão que exige cuidado. Histórias curtas parecem incompletas e longas demais podem ser cansativas, se não forem feitas do modo correto – o que me fez escrever o artigo “A produção de um roteiro” postado neste blog e que será de interesse para quem desejar escrever algo.
Sei que mesmo séries de médio porte também podem ter problemas similares com a profundidade das personagens quando existem muitas delas, mas no caso de Lendas, o número de personagens é extremamente necessário. Sempre optei por escrever histórias onde o principal é a mensagem e compacto isso em suas falas e narrativas. Gosto de fazer minhas personagens reais na medida em que são emocionalmente vulneráveis, mas que tiram força de suas crenças pessoais para realizar as tarefas que lhe são impostas. Gosto da idéia de fazer os leitores pensarem no que as personagens falam, mesmo quando não concordam com elas.
Como a maioria de minhas histórias, Lendas não terá muitas lutas, mas sim, bastante ação. Acho que isso também se tornou uma marca nos meus trabalhos.
Ainda tenho diversos detalhes para acertar e muitas cenas novas para escrever… é o que acontece quando a gente cisma em refazer uma história inteirinha. =P


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